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É só baixar

por Felipe Marra Mendonça publicado 23/04/2013 10h21
Fazer o download de músicas sem pagar nem sempre é ruim para os autores, diz estudo europeu
Ilustração sobre tecnologia

Sinergia? Sem os sites ilegais de downloads, as páginas legais venderiam 2% menos, estimam os autores. Ilustração: Estella Maris

Um relatório de dois pesquisadores da União Europeia mostra que a pirataria digital de músicas não deveria ser uma preocupação para os detentores de direitos autorais. Luis Aguiar e Bertin Martens, da Unidade de Informação Social da UE, publicaram um estudo de 40 páginas sobre o assunto em março, disponível aqui.

Eles admitem que, “embora exista uma quebra do direito de propriedade privada (os direitos autorais), ela não danifica as receitas das vendas digitais de música sobremaneira”. E que isso “deve ser interpretado no contexto de uma indústria musical ainda em evolução. É importante ressaltar: o consumo no formato físico recentemente perfazia a maior -parcela das receitas do mercado. Se a pirataria -leva a mudança importante nas vendas físicas, então o efeito nas receitas gerais da indústria musical pode realmente ser negativo”.

O estudo foi conduzido com base nos dados do Nielsen NetView, serviço capaz de medir a audiência de sites. Foram escolhidos 5 mil usuários das cinco maiores economias da UE, ou seja, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha. A Espanha, por exemplo, clica 230% a mais em sites de downloads ilegais do que a Alemanha. Por outro lado, a França parece preferir sites de streaming, com 150% mais cliques do que a Alemanha, usada pelos autores como referência por ter a menor incidência de pirataria nos dois casos.

Outro ponto interessante levantado pela dupla de pesquisadores é o que aconteceria com o mercado legal se não existisse a pirataria. Eles acreditam que as vendas não seriam maiores, ao contrário do esperado. “Os cliques nos sites de compras legais de música digital seriam 2% menores na ausência completa de sites de download ilegal. Isso sugere que a grande maioria das músicas consumidas ilegalmente, pelos indivíduos no nosso estudo não seria comprada legalmente, caso os sites de pirataria não existissem”, afirma o estudo.

Em outra demonstração da importância crescente dada pelos governos para a proteção de seus sistemas, China e Estados Unidos concordaram em criar um grupo de trabalho para estudar medidas mútuas de segurança na rede de computadores. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse, em visita a Pequim, que a cibersegurança “afeta o setor financeiro, os bancos e as transações financeiras”. Todos os aspectos que envolvem os países em tempos modernos, afirmou Kerry, são afetados pelas redes online. “E, obviamente, todos os países têm algum interesse em proteger seu povo, seus direitos, sua infraestrutura.”

As palavras de Kerry têm como pano de fundo uma suspeita americana de que a China apoiou repetidos ataques cibernéticos contra diferentes empresas e veículos nos Estados Unidos. ONew York Times e o Wall Street Journal, por exemplo, revelaram em fevereiro passado que seus sistemas internos tinham sido infiltrados diversas vezes por hackers chineses. Segundo o Times, o ataque teria sido a retribuição por uma reportagem sobre a corrupção no alto escalão do Partido Comunista Chinês.