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Corporações sem rumo

por Felipe Marra Mendonça publicado 14/11/2011 16h18
A Nokia deu os primeiros passos para se reencontrar, mas grupos como HP e RIM continuam com a trajetória incerta
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Visão. Ex-estagiário da HP, Steve Jobs previu a agonia da gigante da informática. Ilustração: Daniela Neiva

A Nokia foi apresentada, na última edição desta coluna, como exemplo de companhia que tenta se reerguer depois de um período turbulento causado pelo surgimento de competidores competentes ou pelos passos em falso dados por líderes incompetentes. A empresa parece ter encontrado o caminho certo com seus primeiros telefones com sistema Windows Phone versão Mango (o Lumia 800, mostrado abaixo no Prazer de Ponta, é um deles).

Um exemplo completamente diferente é o de duas empresas que parecem estar em meio a brumas intransponíveis: a Hewlett-Packard (HP), uma das pioneiras entre as companhias de informática do Vale do Silício, e a canadense Research In Motion (RIM), que tirou o e-mail corporativo dos escritórios e o colocou num aparelho móvel em 1999, o primeiro BlackBerry.

O caminho incerto da HP nos últimos anos foi descrito pelo próprio Steve Jobs, na biografia autorizada escrita pelo jornalista Walter Isaacson. Em sua última visita à Apple, em meio a reu-niões e despedidas, Jobs teria externado sua decepção com os rumos da companhia que lhe ofereceu seu primeiro estágio, no começo dos anos 60. “Hewlett e Packard construíram uma grande companhia e acreditaram que a tinham deixado em boas mãos. Mas agora ela está sendo desmembrada e destruída. Isso é trágico. Espero ter deixado um legado mais forte para que isso nunca aconteça com a Apple.”

A ruína descrita por Jobs começou em meados do ano passado. A HP gastou 1,2 bilhão de dólares na compra da Palm, com vistas a ter mais importância no mercado de smartphones. Anunciou a criação de aparelhos munidos com sistema operacional webOS, criado pela Palm, para assim competir com a Apple, o Google e a RIM. Quis também usar o webOS em tablets para competir com rivais como o iPad. O primeiro tablet, o TouchPad, foi lançado em julho e prontamente descontinuado em agosto. Além disso, a HP anunciou que iria -parar de desenvolver o webOS e sairia do -mercado de tablets e smartphones. Fora a confusão -estratégica, passou por três presidentes em -pouco mais de um ano.

A RIM continua com a mesma dupla de executivos na direção da empresa desde a fundação em 1984, Mike Lazaridis e Jim Balsillie, mas os dois parecem não ter uma ideia clara do que fazer para trazer a empresa aos eixos no mercado de smartphones. Os 60 milhões de usuários do BlackBerry configuram uma base importante, mas cansada dos problemas com o sistema de mensagens da RIM. O colapso do sistema de e-mails gerenciado pela empresa, em meados de outubro, levou muitos deles a trocar de aparelho, movimento confirmado por um estudo da consultoria Canalys, que apontou que a fatia de mercado de smart-phones -detida pela RIM caiu de 24% em 2010 para 9% em 2011. A empresa também tentou entrar no mercado de tablets com o seu Playbook, um aparelho potencialmente melhor que os concorrentes, mas que saiu de fábrica sem o que os tradicionais usuários da marca mais esperam de qualquer aparelho da RIM: o acesso confiável ao e-mail. O Playbook não possui um aplicativo para mensagens e precisa conectar-se a um BlackBerry para checá-las. A solução só deve chegar em fevereiro.