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Cientistas descobrem como as corujas giram quase totalmente a cabeça

por AFP — publicado 04/02/2013 09h44, última modificação 04/02/2013 09h44
Com giros de até 270 graus, cientistas sempre se questionaram como os rápidos movimentos de pescoço do animal não o deixava morto no chão da floresta por acidente vascular cerebral

WASHINGTON (AFP) - Cientistas americanos acabam de decifrar o enigma de como as corujas conseguem girar a cabeça até 270 graus e não danificam seus delicados vasos sanguíneos do pescoço ou interrompem o fornecimento de sangue para o cérebro.

Segundo um estudo da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, os vasos sanguíneos na base da cabeça das corujas têm a capacidade de se ampliar, tornando-se uma espécie de represa. Isso permitiria acumular sangue para que as corujas possam obter energia suficiente para irrigar o cérebro e os olhos enquanto giram a cabeça.

"Até agora, especialistas em scanner cerebral que, como eu, lidam com lesões causadas por traumas nas artérias da cabeça e do pescoço em humanos, se questionavam como estes rápidos e elaborados movimentos de cabeça não deixavam milhares de corujas mortas no chão da floresta por acidente vascular cerebral", afirmou o neuro-radiologista Philippe Gaillourd, autor principal do estudo publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.

Para resolver o quebra-cabeça, a equipe de cientistas estudou a estrutura óssea e dos vasos sanguíneos da cabeça e do pescoço de vários tipos de corujas após suas mortes por causas naturais.

Um corante de contraste foi utilizado para melhorar a imagem de raios-X dos vasos sanguíneos das aves, que foram meticulosamente dissecados, desenhados e escaneados para permitir uma análise detalhada.

A descoberta mais surpreendente aconteceu depois que os cientistas injetaram uma substância corante nas artérias das corujas para imitar o fluxo sanguíneo e giraram manualmente a cabeça dos animais.

Os vasos sanguíneos na base da cabeça, logo abaixo do osso da mandíbula, se tornavam uma espécie de represa à medida que entrava mais corante no sistema circulatório.

Isto contrasta radicalmente com a capacidade anatômica do ser humano, em que as artérias geralmente tendem a ser cada vez menores e não a se inflar à medida que se ramificam.

"Os resultados do nosso novo estudo mostram precisamente que as adaptações morfológicas são necessárias para tais movimentos de cabeça", disse Gaillourd.