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Conferência de Energia Eólica no Brasil

Ceará será autosuficiente apenas com energia eólica, diz governador

por Marcelo Pellegrini — publicado 03/04/2012 12h01, última modificação 03/04/2012 14h37
Cid Gomes diz que estado terá toda sua energia a partir da matriz dos ventos até 2016
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Cid Gomes, governador do Ceará, promete que até 2016 o estado será autosuficiente em energia eólica.

Até 2007, o Ceará era totalmente dependente de fornecedores de energia de outros estados. Na época, o estado "importava" 100% da energia que precisava e possuía apenas um par de termelétricas que funcionavam emergencialmente. Mas de lá para cá, o governo cearense se tornou um dos maiores investidores em energias alternativas e renováveis  do País e planeja, até 2016, ser autosuficiente apenas com os parques eólicos que já estão em construção.

“Já produzimos 519MW de energia eólica, o que corresponde a 56% da produção nacional. Com os 18 parques e 69 usinas já contratadas produziremos 1818MW até 2016. Esse valor atende a todas as demandas de nosso estado”, declarou o governador cearense Cid Gomes.

Para ele, a autosuficiência energética é importante para o desenvolvimento do estado e da região Nordeste. “Toda região que pretenda crescer tem que possuir um suprimento seguro de energia. E não há forma melhor de se resolver esse problema, senão pelo investimento em energias alternativas”, diz.

Além da energia dos ventos, o Ceará também é pioneiro em investimento e pesquisas que extraem energia da luz do sol e da movimentação das marés.

Exemplo disso é a construção do maior parque de energia solar comercial do mundo, terá capacidade de 50MW quando as obras estiverem concluídas. “O Ceará tem a preocupação de investir em pesquisa e financiar projetos sustentáveis por meio do Proeólica e do FIES (Fundo de Incentivo à Energia Solar). Programas que incentivam o aproveitamento de duas fontes limpas e abundantes no estado”. Além da energia solar e eólica, o estado já iniciou experimentos em maremotriz, em parceria com a UFRJ e a Eletrobrás.

Carência tecnológica

No entanto, o investimento cearense em pesquisa e inovação não condiz com a realidade brasileira. “Não se discute tecnologia no Brasil, se discute apenas financiamento e projetos de instalação”, reclama Everaldo Alencar Feitosa, fundador da empresa Eólica Tecnologia.

O mesmo diz Luiz Pinguelli Rosa, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor do Programa de Planejamento Enérgito da Coppe-UFRJ. “Nós possuímos as fabricas de materiais básicos, mas a tecnologia que é o que importa não foi transferida”, afirma. “Precisamos de uma política industrial casada com a tecnológica para o Brasil.”, completa.

A reclamação é comum entre os analistas e explica-se pelo fato do Brasil planejar investir 529% na matriz eólica, entre 2010 e 2015 – maior investimento entre todas as matrizes renováveis – e ainda depender da importação de equipamentos para a implementação de seus parques. Outros emergentes como Índia e China já possuem tecnologia própria e possuem empresas entre as dez maiores empresas eólica do mundo.

Segundo projeções da Agência Internacional de Energia, em 2020, o Brasil estará entre os cinco países que mais utilizarão energia eólica no planeta.

Por conta disso, uma política industrial para o setor passa a ser uma questão estratégica e de soberania nacional, defende Rosa. De forma mais pragmática, o gerente geral de negócios em Energia da Petrobras, Renato Costa, sugere uma “exigência maior no nível de conteúdo nacional mínimo para as empresas participarem do leilão”.

Além de desenvolver e tornar mais competitiva a indústria nacional, o investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico é necessário para que o País conheça as características de seus ventos e possa aplicar a tecnologia que melhor os aproveite.

Atualmente, parcerias e convênios entre grupos como a ABEEólica e empresas como a Petrobras com universidades e centros de pesquisa estão apenas começando. “O Brasil precisa de parcerias para criar Think Tanks. Por meio deles, o Brasil poderá ter inovação tecnológica, incremento da indústria e queda nos custos da implementação dos campos”, defende Jean Paul Prates, presidente da Cerne.

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