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Aposta finlandesa

por Felipe Marra Mendonça publicado 03/11/2011 11h57, última modificação 03/11/2011 11h57
A Nokia vai equipar seus novos celulares com o Windows Phone, na esperança de recuperar seu espaço no mercado
felipe marra

A Nokia vai equipar seus novos celulares com o Windows Phone, na esperança de recuperar seu espaço no mercado

 

Hoje é o começo de uma nova era, o primeiro dia de uma longa aventura para a Nokia.” Essas foram as bombásticas palavras proferidas por Stephen Elop, presidente da companhia finlandesa, durante a abertura do Nokia World, em Londres, na quarta-feira 26. Elas dão uma boa dimensão do quanto os próximos meses são importantes para a Nokia depois de um período turbulento. Em fevereiro, Elop enviava aos funcionários um duro memorando interno em que essencialmente comparava a empresa finlandesa de celulares a uma plataforma de petróleo em chamas. Segundo ele, a empresa enfrentava duas escolhas possíveis: se jogar no mar gelado ou ser consumida pelas chamas. “Perdemos nossa fatia de mercado, perdemos a atenção do consumidor e perdemos tempo”, escreveu o executivo.

A aposta de Elop, ex-executivo da Microsoft, é uma reinvenção dos smartphones da marca, agora munidos com o sistema Windows Phone. O raciocínio é interessante, visto que os novos aparelhos da Nokia entram em um mercado dominado principalmente pelos sistemas Android, do Google, e iOS, da Apple, com os Blackberry preferidos por usuários corporativos. A empresa finlandesa então oferecia uma alternativa de qualidade para os que não querem nem a confusão das diferentes versões do sistema Android, que simplesmente não gostam do iPhone ou que não querem usar um Blackberry. “Queremos que as pessoas percebam algo de especial quando ouvirem o nome Nokia”, disse Elop. “É claro que tivemos momentos difíceis, mas a nossa recuperação é evidente. E ainda temos muito a fazer.”

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Os dois aparelhos mostrados pela empresa, o Lumia 800 e o Lumia 710, parecem apontar na direção certa. “Lumia quer dizer luz”, explicou Elop, “e queremos seguir a luz”. Os telefones não providenciam uma experiência tão messiânica quanto sugere o executivo, mas têm boas especificações. O Lumia 800 é construído a partir de um bloco de policarbonato, tem linhas bem definidas e o chassi pode vir nas -cores preta, azul ou -vermelha. O interessante é que o policarbonato é inteiramente daquela cor, ou seja, arran-hões não revelam uma cor diferente da camada superior. É um aparelho que teoricamente deve envelhecer bem. Além disso, ele possui tela sensível ao toque de tecnologia Amoled com 3,7 plegadas, processador interno de 1,4 GHz, câmera com lente Carl Zeiss, gravação de vídeo em alta definição e 16 GB de memória interna. A Microsoft oferece outros 25 GB no seu serviço SkyDrive e assim o usuário pode salvar músicas e fotos nas nuvens. O Lumia 800 deve custar 500 euros e pode ser lançado no mercado -europeu em 19 de novembro.

Outro ponto interessante da apresentação de Elop foram os novos aparelhos voltados aos mercados emergentes, ainda amplamente dominados pela Nokia. Os modelos Asha (esperança, em hindi) são smartphones munidos de sistema Symbian, com preços que variam de 115 a 60 euros. Blanca Juti, vice-presidente de marketing móvel da empresa, disse que, com eles, a Nokia quer “interromper a exclusão digital e levar a internet a quem nunca a teve”.

Pouco depois dos anúncios, as ações da Nokia subiram 1,7% na bolsa de Helsinque, um sinal de que Elop talvez tenha conseguido pelo menos controlar as chamas que ameaçavam consumir a companhia.