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Aos poucos, smartphone pode substituir dinheiro

por Deutsche Welle publicado 28/02/2013 12h09, última modificação 28/02/2013 12h43
Aparelhos atuais enviam mensagens, tocam música e navegam na internet. Em breve, também devem ocupar o espaço do papel-moeda em compras "físicas"

As notas parecem estar, aos poucos, desaparecendo do nosso dia a dia. Alguns já memorizaram até o número do cartão de crédito. Pagar sem dinheiro vivo está em ascensão, e novos sistemas e dispositivos estão constantemente em desenvolvimento para substituir o tradicional papel-moeda. Um deles se encontra em nosso bolso – o smartphone. Mas seria o chamado pagamento móvel uma moda passageira ou uma real tendência?

Gastar dinheiro é fácil, só é preciso tê-lo – mas isso é outro tema. Já é possível, atualmente, administrar cartões de crédito através do Google Wallet ou Paypal via armazenamento de dados no Cloud, podendo assim efetuar pagamentos sem notas e moedas em todo o mundo. Uma tecnologia já comprovada, a NFC (sigla em inglês para Near Field Communication ou campo próximo de comunicação), pretende tornar os pagamentos mais fáceis, rápidos e seguros.

Essa tecnologia funciona como um canal de comunicação, uma conexão sem fio entre dispositivos. Hoje, a tendência são os chips NFC. Embutidos em smartphones, eles são escaneados por meio de um dispositivo a laser. O cliente segura o celular diante de um terminal de autoatendimento, e a transação é efetuada. Os chips também podem ser embutidos em cartões de crédito e débito.

        

O mercado de sistemas de pagamento móvel, também conhecido por comércio móvel, é altamente disputado. Muitas firmas, incluindo diversas companhias startup, empresas de comunicação ou institutos financeiros querem entrar no segmento.

"O pagamento móvel é mais do que uma moda. Através da grande proliferação de smartphones e tablets, métodos de pagamento móvel tornam-se cada vez mais importantes. Fazer compras via internet se desloca cada vez mais para o celular – o comércio eletrônico se transforma em comércio móvel", declarou Manfred Krüger, presidente da ConCardis, firma que oferece serviços de transações de pagamento sem papel-moeda.

Um aplicativo de táxi como um pioneiro

"Eu uso os táxis sempre para fins comerciais, mas eu sempre perco as notas fiscais. Com o aplicativo do MyTaxi, isso não acontece mais, já que recebo um e-mail com as notas, e um e-mail não se perde", afirmou André Bajorat, especialista em internet banking e pagamento móvel.

Com o MyTaxi, o cliente pode efetuar transações sem dinheiro vivo. Ele só precisa ter uma opção de pagamento através do aplicativo, como por exemplo Paypal ou cartão de crédito. O café, Bajorat ainda paga com moedas e notas, mas, em outros casos, ele tenta sempre pagar da forma mais rápida e fácil possível.

"Eu carrego meus cartões na pasta, e o dinheiro eu levo no bolso. Eu não possuo carteira de dinheiro. De noite, eu separo as moedas, que acabam parando nas mãos das crianças", conta.

Na Alemanha, por exemplo, a introdução de tais serviços de pagamentos em nível nacional é tida como uma questão de tempo. "Achamos que, nos próximos anos, a tecnologia NFC prevalecerá, tornando-se algo convencional", disse Steffen Von Blumroeder, da Bitkom, a Confederação Alemã da Economia de Informação, Telecomunicação e Novas Mídias.

A curto prazo, André Bajorat disse ver uma oportunidade para os comerciantes que ofereçam um modelo de pagamento móvel em seus negócios. “Surgirão muitas possibilidades de armazenamento de dados, como o aplicativo MyTaxi. Trata-se de sistemas fechados, nos quais os comerciantes e os clientes criam o próprio ecossistema. Então ambos serão incentivados a usar esse sistema de pagamento móvel", diz.

A cadeia de cafés Starbucks, por exemplo, já introduziu nos Estados Unidos esse sistema móvel de transações. A ferramenta, segundo Bajorat, também seria concebível para cinemas ou centros comerciais.

Privacidade em questão

Com a perda ou até mesmo o roubo da carteira de dinheiro, vão-se os muitos cartões, vales e notas. Mas também no mundo digital é possível perder alguma coisa: os próprios dados. Muitos modelos de pagamento ainda estão na fase de testes. Em todos os sistemas, a segurança dos dados e a privacidade são um grande desafio.

Especialmente em sistemas sem fio baseados em tecnologias NFC, o consumidor pode sair perdendo no final: "No momento, a tecnologia ainda precisa de melhorias, particularmente em termos de segurança de dados. Atualmente, a leitura dos chips NFC ainda é mais fácil de interceptar do que se pensava anteriormente", disse Antje Stobbe, analista do Deutsche Bank.

Enquanto muitos ainda preferem pagar em dinheiro, outros países estão mais abertos para modelos alternativos de pagamento. Há cerca de dez anos, o Japão introduziu um sistema de pagamento de passagens baseado na tecnologia NFC.

"Com suas notas e cartões de plástico, as pessoas se amontoavam diante das catracas nos metrôs. Com a tecnologia NFC, é muito mais rápido, porque os chips podem ser lidos diretamente, não é preciso segurar nada, tudo funciona automaticamente", explicou Steffen Von Blumroeder.

Autora: Rayna Breuer (ca)
Revisão: Rafael Plaisant Roldão 
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