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'A Redenção de um Pirata'

por Felipe Marra Mendonça publicado 20/07/2010 11h34, última modificação 30/07/2010 11h36
Peter Sunde, fundador do Pirate Bay, acaba de fundar uma empresa para ajudar a cobrar por conteúdo na web

Se a carreira de Peter Sunde tivesse uma versão hollywoodiana, o filme provavelmente teria um título bombástico, do tipo A Redenção de um Pirata. O sueco Sunde foi um dos fundadores do notório Pirate Bay – portanto, injustamente responsabilizado por grande parte da pirataria digital pela internet –, mas acaba de fundar uma empresa que tem como principal objetivo permitir que criadores de conteúdo recebam um pagamento por seu trabalho.

O pensamento por trás da nova empresa, a Flattr, é intuitivo e brilhante pela sua simplicidade. Um bom exemplo do funcionamento seria um blog com vários leitores. Esse público checa a página todos os dias e gosta do trabalho feito pelo blogueiro, tanto que até pagariam pelo conteúdo, se existisse um modo fácil de fazer isso. O que o Flattr propõe é criar um sistema que permita ao usuário pagar facilmente o que quiser pelo serviço oferecido. O consumidor abre uma conta e, a partir daí, os sites que se cadastrarem no sistema podem colocar um botão do Flattr ao lado de cada texto ou música ou outro conteúdo. Assim como os botões de “Like”, no Facebook, um clique neste botão permite que o usuário pague algo pelo material disponibilizado.

Para ter uma conta com o Flattr, o usuário precisa depositar um mínimo de dois euros, que podem depois ser gastos em qualquer site registrado com o sistema. Sunde disse ao Financial Times que um usuário normalmente deixa cerca de 15 centavos de euro para cada autor e que os sites mais populares atualmente estão na Alemanha. O jornal Die Tageszeitung () recebeu quase mil euros durante o mês de junho. Por outro lado, um fotógrafo que normalmente permite que suas fotos sejam usadas de graça para fins não comerciais recebeu 33 euros depois de 90 cliques em sua página.

Ou seja, tanto os textos do jornal como as fotos poderiam ser consumidos de graça, sem qualquer pagamento, mas os usuários elegeram pagar pelo uso do conteúdo. O que o Flattr sustenta é que os usuários querem pagar pelo que consomem, mas que não podiam fazer isso até agora porque não existia um mecanismo simples que lhes permitisse fazê-lo. Pode não ser a solução para a pirataria, mas é um esquema no mínimo interessante.

Outra notícia importante vinda da Suécia tem como tema o futuro do Pirate Bay. O site foi comprado dos fundadores originais pelo Partido Pirata da Suécia em maio de 2009, numa junção tanto simbólica quanto pragmática. Agora o partido tenta utilizar sua imunidade parlamentar para proteger o site de qualquer tipo de ação legal por parte dos detentores dos direitos autorais. Em um texto no blog do partido, os líderes da agremiação dizem que a Constituição sueca protege os parlamentares de qualquer processo, desde que suas ações estejam de acordo com seu mandato político.

De acordo com eles, hospedar o Pirate Bay se encaixa nesse dispositivo porque, ao proteger o site, o partido protege valores fundamentais, como a segurança de dados privados, a liberdade de expressão, “o futuro da Suécia como país industrial e a reputação da Suécia como um país de ponta no futuro”. Pode ser somente um gesto simbólico, mas os resultados podem ser importantes para usuários ao redor do mundo.