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A próxima geração de apps mira no Facebook

por The Observer — publicado 10/05/2013 12h35
O Facebook parece cada vez mais predominante, mas rivais menores atraem usuários preocupados com a privacidade online
Marcopako/Flickr
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O Facebook parece cada vez mais predominante, mas rivais menores atraem usuários preocupados com a privacidade online

Por Jemima Kiss

O Facebook, a onipresente rede social, é a estrela mais brilhante do Vale do Silício. O site alcançou uma escala sem precedentes, com 1,1 bilhão de usuários por mês, crescendo mais depressa na África, Ásia e América do Sul ao subsidiar o acesso de celulares para uma nova geração de usuários, para os quais o Facebook é a internet. Em mercados consolidados, está se posicionando agressivamente como o provedor de identidade padrão na web em milhares de outros sites. E agora, no celular o novo superaplicativo "Home", para Android, canaliza todo o conteúdo do smartphone via sua conta no Facebook. Ao que parece, os negócios estão bombando.

A ideia aceita entre as empresas de consumo na internet é que a maioria das pessoas usa apenas sete aplicativos, ou "apps" -- se sua empresa quer ser grande, tem de ser um deles. Para 751 milhões de pessoas no mundo, o Facebook é um desses sete apps. Seus últimos resultados financeiros mostraram um crescimento de receita de 38%, e quase um terço das rendas de publicidade de 1,25 bilhão de dólares hoje são geradas por anúncios em celulares e tablets. É uma virada notável em 12 meses para uma empresa que já foi quase derrubada pela falta de uma estratégia convincente para celulares.

Mas ainda há desafios para o Facebook que não podem ser resolvidos com algoritmos. Mais imediatamente, a rede social tem que reter a atenção dos consumidores de internet, notoriamente instáveis. O empresário veterano Dalton Caldwell sabe bem disso: aos 23 anos, fundou a rede social de música Imeem, mais tarde adquirida e fechada pelo MySpace.

"Existem muitas lições instrutivas na queda do MySpace, que foi excessivamente monetarizado. Fez muitas coisas agressivas para os usuários, foi muito vulnerável a interrupções e passou do site número 1 do mundo para zero. É interessante que isso tenha acontecido tão rápido. As pessoas são instáveis e se mudarão se houver algo melhor. Se isso não fosse verdade, ainda estaríamos usando o MySpace."

A aquisição de surpresa pelo Facebook por 1 bilhão de dólares do aplicativo de compartilhamento de fotos Instagram, em abril passado, demonstrou uma estratégia defensiva para manter a concorrência afastada. "A compra não teve relação com o que a companhia valia, mas o que valia para o Facebook tirá-la da concorrência. E eles não poderão continuar fazendo isso", afirma Caldwell. "A próxima grande coisa será algum app de celular construído por algum jovem em uma garagem qualquer."

O Facebook também enfrenta um problema mais humano. Enquanto sua engenharia é de primeira classe e seus negócios são cada vez mais robustos, a empresa demonstrou pouca sensibilidade ou empatia pela verdadeira condição humana, o imprevisível e único comportamento dos indivíduos que não pode ser calculado em média, agregado ou previsto.

Controvérsias habituais sobre conteúdo inadequado incluem dois vídeos de decapitações que o site se recusou a retirar por mais de sete dias, enquanto defendia a publicação de um vídeo sem edição de uma mulher batendo em um bebê.

O Facebook vai indicar que, como outros sites de escala ao consumidor, precisa automatizar a moderação do conteúdo e conta com os usuários para identificá-lo. Mas decisões frágeis e incoerentes são tomadas por indivíduos quando casos extremos surgem na mídia.

O monopólio do Facebook de nossas identidades online e o modelo de monetarizar nossos dados levantou a desconfiança dos ativistas pela privacidade desde o início, e o site tem dificuldade para explicar que não "possui" dados dos usuários. Sobretudo, precisa fornecer um esquema que dê à rede social permissão para lidar com nosso material. E também sofre um escrutínio tão intenso que é mais provável que os verdadeiros abusos de dados ocorram em cantos mais obscuros da internet.

Seu mantra "Mova-se depressa e quebre coisas" ilustra uma certa mentalidade, uma cultura de desenvolvedor corporativo à imagem de seu criador, Mark Zuckerberg. Mas o processo parece ignorar as implicações éticas e interpessoais desses rápidos desenvolvimentos, e seus poderosos conjuntos de dados estão inadvertidamente criando percepções muito mais polêmicas.

O doutor David Stillwell, psicólogo do centro de psicometria da Universidade de Cambridge, identificou maneiras de deduzir a sexualidade, a religião, a política e até o QI de uma pessoa a partir do que ela "curte" no Facebook. "Essas empresas provavelmente estão medindo a personalidade e o QI sem perceber", afirma.

"Os dados vão para a caixa-preta e ela determina qual usuário vê qual publicidade, mas também é muito provável que nos bastidores, onde ninguém sabe o que está acontecendo, essa caixa-preta também desvende o QI das pessoas, sua sexualidade, ou também a religião. Existe uma grande lacuna entre o que as pessoas da indústria sabem que é possível e o que os consumidores compreendem."

Não obstante, há uma consciência cada vez maior do consumidor sobre o valor de seus dados e sua identidade online, um ressentimento de que nossas transações sociais estejam sendo usadas como base para um negócio de publicidade e uma preocupação sobre a concentração de poder nesses gigantes tecnológicos. É um terreno fértil para se construir uma alternativa, argumenta Caldwell, segundo o qual está ficando claro que as empresas de consumo em grande escala na web, apoiadas por publicidade, são na maioria "uma miragem".

"Quando uma companhia está agressivamente enfocada em metas de crescimento e receitas, começa a fazer coisas que não são favoráveis aos usuários", diz. "O Facebook e o Twitter estão recuando de sua linha de 'novas formas de publicidade' e transformando-se em empresas de publicidade padrão que vendem anúncios interativos. Para o Facebook, isso é um grande afastamento de sua estratégia antes de entrar na Bolsa."

Lançado em agosto de 2012, o novo projeto de Caldwell, App.net, é uma rede social baseada em assinaturas, sem publicidade. Longe de um ideal utópico, ele conta que o princípio de uma nuvem de dados pessoais que pode ser compartilhada entre aplicativos confiáveis em um espaço livre de publicidade é uma ideia que vai pegar. É uma liga diferente do Facebook, com 100 mil usuários -- muitos deles atraídos por uma oferta grátis limitada, feita dois meses atrás --, mas o site é uma prova de que há apetite para um novo modelo mais enfocado no usuário. O verdadeiro cliente do Facebook, afinal, é o anunciante -- e não as pessoas.

Na escala modesta da App.net, interagir com os usuários é muito mais administrável, mas Caldwell aponta que o principal impacto social do Facebook não será compreendido por muitos anos. "A segunda e terceira rodada desses sites está modificando a experiência humana", diz. "Os inventores da televisão não pensaram no que aconteceria 30 anos depois que juntaram aqueles tubos -- eles eram engenheiros."

Mídia Social: A próxima geração

PHEED quer ser tudo para todo mundo, mas começou com jovens tatuados e criativos que querem um app social para governar tudo: vídeo, áudio, foto, texto e até transmissão ao vivo. O formato é conhecido por todos que usaram Instagram ou Vine nos últimos meses, e alguns primeiros usuários célebres ajudaram a empurrá-lo para o topo das tabelas de apps, à frente de Twitter e Facebook, várias vezes.

INCREDIBOOTH é uma versão de bolso do inevitável conceito de cabine de fotos automáticas, como se viu em todo casamento digno de nota neste verão. Assim como Hipstamatic explorava a nostalgia dos filtros de fotos no estilo Polaroid, o Incredibooth conta com nossa memória das cabines de fotos que permitiam tirar quatro fotos diferentes em sequência. O próximo desafio é encontrar uma maneira de deixar suas fotos na saída para o próximo freguês.

1SE Um segundo de vídeo não parece muito, mas é o bastante para colocar você exatamente no momento. One Second Everyday [um segundo todo dia] dá ao usuário uma meta ambiciosa de lembrar de filmar alguma coisa todo dia, ou uma maneira engenhosa de resumir tudo o que você filmou. O resultado é aproximadamente o que você verá quando sua vida passar em um flash diante de seus olhos antes da morte, mas de uma maneira boa.

KIWI, PARA MAC DESKTOP

Um dos apps mais populares na App.net é o Kiwi. É o Twitter com mais caracteres (256 em vez de 140) e sem publicidade. É um território dos primeiros fãs, e você precisará fazer novos amigos ou convencer antigos a mudar-se. Mas é uma bela experiência de usuário, e depois você pode explorar mais na App.net, incluindo Climber para mensagens em vídeo e Photolicious para imagens.

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