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A Nokia imaterial

por Felipe Marra Mendonça publicado 23/11/2012 09h33, última modificação 23/11/2012 09h33
Conhecida por seus celulares, a empresa finlandesa dedica atenção cada vez maior aos aplicativos
nokia

Base. Para Elop, o CEO, a Nokia pode se tornar referência mundial em mapas

A finlandesa Nokia ainda pena para se reestabelecer no mercado de smart­phones, mesmo sendo uma das poucas parceiras da Microsoft para o lançamento de ­telefones com o sistema Windows ­Phone 8. Se o caminho parece complicado em termos de hardware, é hora de apostar no lado software da equação.

Na terça-feira 13, a companhia anunciou a intenção de lançar uma versão do seu software de mapas para iPhones, iPads e iPods chamada Here. Além disso, a Nokia formalizou a intenção de lançar uma série de ferramentas capazes de permitir que aplicativos Android usem seus mapas.

A parte principal do atrativo dos mapas da Nokia é a simples precisão com que operam. A base de dados da empresa possui informações sobre mais de 200 países e é geralmente tida como tão competente quanto à do Google. Em entrevista ao blog Bits, do New York Times, o CEO da companhia, Stephen Elop, explicou que expandir o número de usuários dos seus mapas deve ajudar a melhorar ainda mais a qualidade da informação contida.

“Para que a plataforma de localização tenha maior qualidade, precisamos de escala, e precisamos de o maior número de pessoas contribuindo nesse esforço”, disse Elop. “Claro, a Nokia vai construir aplicativos para isso, alguns devem ser exclusivos para os nossos aparelhos, e isso gera uma vantagem competitiva para nós”. O sistema da Nokia aprende com os hábitos dos usuários. Quanto mais pessoas fazem buscas ou procuram endereços, mais o sistema se adapta para providenciar resultados com maior rapidez.

Talvez a motivação da Nokia seja se tornar um ponto de referência universal para mapas, plataforma de navegação para os mais diferentes aplicativos e para plataformas diferentes, não importa se o telefone roda Windows Phone, iOS ou Android. Pode dar tremendamente errado, mas é uma aposta interessante. A empresa tem um passado glorioso no mercado de celulares, mas talvez a sobrevivência esteja em um ramo diferente.

Enquanto isso, a Microsoft...

Há duas semanas o executivo Steven Sinofsky, chefe da divisão Windows na Microsoft, apresentava o Surface a uma plateia incrédula com a ousadia da empresa. Trata-se de um aparelho distante da imagem tradicional da Microsoft, sisuda e corporativa, cujo objetivo era mostrar um lado divertido e criativo.

O impacto durou pouco. E Sinofsky teve sua saída da Microsoft anunciada na noite de segunda-feira 12, o que deixa a companhia com um vácuo na alta liderança. Não parece existir alguém pronto para substituir o CEO, Steve Ballmer, no comando da Microsoft. O timing da saída de Sinofsky é interessante: parece coincidir com ­outra importante movimentação no ­mercado da tecnologia, a demissão abrupta de Scott Forstall, da Apple.

Forstall era responsável pelo sistema operacional iOS, presente em iPhones, iPods e iPads. A analista Carolina Milanesi, da consultoria Gartner, disse à agência Reuters que a dança das cadeiras pode não ser mero acaso. “Alguns especulam que a ­disponibilidade de Forstall no mercado tem algo a ver com a saída de Sinofsky. Acho que não deve demorar a sabermos se esse é mesmo o caso.”

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