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MWC

A febre do 3D

por Felipe Marra Mendonça publicado 24/02/2011 10h59, última modificação 24/02/2011 11h02
No Mobile World Congress, em Barcelona, era possível encontrar até celular com imagens em três dimensões

No Mobile World Congress, até um celular com imagens em três dimensões 
Todos os anos a indústria da telefonia celular se reúne em Barcelona, durante o Mobile World Congress (MWC), e enche a imprensa especializada de lançamentos por todos os lados. Cada ano tem um tema. Em 2010, o principal assunto foi a adoção maciça do sistema operacional Android, da Google, pelas grandes empresas do ramo em seus aparelhos. A sensação deste ano são os tablets munidos do sistema Android e pensados para fazer frente ao iPad, da Apple. Os principais competidores são o Motorola Xoom, o HTC Flyer, o LG Optimus Pad e o Galaxy Tab com tela de 10 polegadas. Além das “pranchetas digitais” as grandes empresas também tentam incorporar as modas do momento ao seus aparelhos. O Optimus 3D, mostrado abaixo no Prazer de Ponta, é uma tentativa de acostumar o usuário a ter um telefone com imagens em 3D.
Mas, em meio a toda essa tecnologia oferecida de bandeja pelas operadoras e pelos fabricantes, fica também a impressão de que boa parte da população mundial segue a vida normalmente sem se incomodar em adotar essas novidades ou sentir qualquer necessidade de ter um smartphone. Nos Estados Unidos, por exemplo, 73% dos quase 234 milhões de donos de telefones celulares possuem o que a indústria gosta de chamar de “feature device”, um aparelho com funções. Ou seja, um telefone que venha com uma série fixa de aplicativos instalada, alguma facilidade de acesso à internet, mas cujos usuários utilizam para fazer nada muito mais complicado do que chamados ou enviar mensagens de texto.
Isso evita a experiência  de ter de usar um telefone com muito mais capacidade do que o necessário e também a probabilidade de ter de pagar uma conta salgada no fim do mês, por conta do acesso constante que os smartphones fazem às redes de dados das empresas de telefonia móvel. Um aparelho simples também tira um pouco da culpa sentida pelos usuários dos celulares mais caros quando esses quebram e precisam ser substi-tuídos, geralmente por um preço alto.
Mais do que isso, o panorama da indústria mostrado durante o MWC fica longe da realidade mostrada em um dos indicadores de desenvolvimento divulgados anualmente pelo Banco Mundial. Segundo as projeções do organismo, até o fim de 2012 existirão mais linhas de celulares na África do que pessoas alfabetizadas naquele continente. Esse é o ponto em que a alfabetização, e não necessariamente o acesso à tecnologia, impede que as pessoas se comuniquem entre si. O raciocínio exposto pelo blog Global Dashboard, especializado em desenvolvimento, é interessante: é preciso um mínimo de alfabetização para conseguir usar um telefone celular. E quando os celulares se tornam o único meio fácil de acesso à internet, a falta de programas de alfabetização torna-se uma barreira para o acesso à rede. Ou seja, as pessoas que não conseguem ler ficam excluídas de toda a informação e das oportunidades oferecidas pela telefonia celular e pela internet móvel, algo que já sofriam no mundo da tinta e do papel. Como bem concluem os autores do blog: “é certo se animar com as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, mas as mesmas tecnologias podem fazer os velhos problemas ficarem ainda mais importantes”.