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A aposta da Microsoft

por Felipe Marra Mendonça publicado 04/11/2012 10h50, última modificação 06/06/2015 19h23
Ao lançar o Windows 8, a gigante dos softwares tenta encarar a Apple e o Google

Os últimos dias foram importantes para o mercado de smartphones. Na segunda-feira 29, a Microsoft mostrou o Windows Phone 8, nova versão do seu sistema operacional, em São Francisco, com Steven ­Sinofsky, CEO da companhia, no comando da cerimônia. “A gente não vê a hora de o mundo conhecer o Windows Phone 8, o smartphone mais pessoal que existe. E ele virá em uma gama de telefones que são bonitos, coloridos e únicos”, disse Terry Myerson, vice-presidente da divisão Windows Phone na Microsoft.

A empresa colocou todas as suas fichas no lançamento, tanto que Steve Ballmer, o CEO, usou a expressão all in, usada no jogo de pôquer para descrever o que o Windows Phone 8 representa. Em termo de vendas, os telefones com Windows representaram somente 3,5% do mercado, no terceiro trimestre de 2012, ante 17% de iPhones e 68% de telefones com alguma versão do sistema Android, do Google. O restante das vendas é composto por uma mistura de Blackberries e smartphones com sistemas operacionais menos expressivos.

Parte da aposta da Microsoft concentra-se na apresentação gráfica do sistema. Distinto dos concorrentes, ele oferece ao usuário uma interface recheada de quadrados coloridos de diferentes tamanhos, compondo um mosaico de informações diferente do encontrado em telefones com Android ou iOS. O problema do Windows Phone 8 segue sendo atrair o interesse de desenvolvedores de software que preferem as plataformas rivais. Nem mesmo o Skype, de propriedade da Microsoft, está disponível para o sistema. Tem previsão de chegada somente em janeiro.

Horas depois, ao sul de São Francisco, a Apple anunciava mudanças importantes no seu quadro de executivos. Saíram ­John Browett, que cuidava das lojas físicas da companhia, e Scott Forstall, responsável pelo sistema operacional iOS. A saída do inglês Browett deu-se dez meses depois da sua entrada na empresa. Ele vinha de chefiar a rede britânica Dixons, renomada pelo seu péssimo ­atendimento ao consumidor. Browett pretendia fazer cortes no número de empregados em cada loja da Apple, o que poderia minar a experiência dos consumidores que as visitavam. O corte foi vetado por Tim Cook, CEO da Apple, e a sua demissão sinaliza a percepção do erro cometido.

A saída de Scott Forstall é muito mais significativa. O executivo havia chegado a Apple em 1996, quando Steve Jobs retornou à companhia. A partir daí ele foi responsável pelo desenvolvimento de seguidas versões do sistema operacional ­Mac OS, além da criação e desenvolvimento do iOS, presente em iPhones, iPods e iPads. Seu erro imediato foi não admitir os sérios problemas do novo aplicativo de mapas, recusando-se a assinar uma carta de desculpas aos consumidores.

Ao longo dos anos surgiam, porém, rumores de tensões dentro da Apple entre Forstall e Jonathan Ive, responsável pelo desenho industrial dos produtos da empresa. Forstall desenhava aplicativos que copiavam a aparência de seus pares físicos. O aplicativo de agenda no iOS, por exemplo, simulava uma capa de couro. Mas Forstall era sempre defendido por Steve Jobs. A morte do fundador da Apple tirou a proteção, e agora todo o desenho da companhia, tanto em hardware quanto em soft­ware, passa a ser supervisionado por Ive.

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