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Último gelo na Groelândia está derretendo rapidamente

por Deutsche Welle publicado 17/03/2014 18h53, última modificação 17/03/2014 18h56
Manto de gelo na região nordeste, considerado inabalável, encolheu 20 km na última década. Entre 2003 e 2013 a Groelândia perdeu anualmente cerca de 10 bilhões de toneladas de gelo
Danielle Pereira/Flickr
geleira

Derretimento na Groenlândia contribui anualmente para a elevação do nível do mar em 0,5 milímetros

A última porção de gelo considerada estável da Groelândia deixou de ser firme. A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores e publicada na revista especializada Nature Climate Change neste domingo 16.

A pesquisa analisou a perda causada pelo recuo de uma geleira de descarga conectada a uma corrente de gelo que, por sua vez, drena o gelo do interior do manto. Essa corrente de gelo, batizada de Zachariae, encolheu 20 quilômetros na última década. Em termos de comparação, a corrente de gelo Jakobshavn, localizada no sudeste da Groelêndia e considerada uma das mais dinâmicas, recuou 35 quilômetros nos últimos 150 anos.

"O nordeste da Groelândia é muito frio e era considerado a última parte estável do manto de gelo dessa região. Esse estudo mostra que a perda de gelo no nordeste está aumentando. Assim, parece que todas as margens do manto da Groelândia são instáveis", afirma Michael Bevis, um dos autores da pesquisa e coordenador da Rede GPS da Groelândia (GNET).

O manto de gelo da Groelândia tem 1,7 milhão de quilômetros quadrados – aproximadamente o tamanho do estado do Amazonas. Segundo a nomeclatura dos glaciologistas, manto de gelo é uma massa de neve e gelo com grande espessura e área maior que 50 mil km2. Além da Groelândia, a Antártida é o único outro lugar na Terra a abrigar um manto de gelo atualmente, com área de 13,9 milhões km2.

Assim como rios, as correntes de gelo retiram o gelo dos mantos. A velocidades de deslocamento do gelo pode atingir centenas de metros por ano, e geralmente, a corrente se estende por centenas de quilômetros e tem milhares de metros de largura. As margens podem ser fraturadas com fendas expostas. A maior delas é a Zachariae, que abrange 16% do manto da Groelândia – uma área duas vezes maior do que a da Jakobshavn.

A Zachariae costumava drenar o gelo lentamente, pois tinha que passar por detritos de gelos flutuantes. Mas agora, com o recuo da camada, essa barreira está menor, fazendo com que a velocidade da corrente aumente e retire o gelo das profundezas do manto.

"Isso sugere um possível mecanismo de feedback positivo, no qual o recuo da geleira de descarga é causado, por um lado, pelo aquecimento do ar e, por outro, por dinâmicas glaciais, conduzindo ao aumento da dinâmica de perda do gelo superior. Isso sugere que a contribuição da Groelândia para a elevação do nível do mar pode ser bem maior no futuro", afirma Bevis.

Nível do mar

Para o diretor da pesquisa, Shfaqat Abbas Khan, a descoberta é preocupante. "Já sabíamos sobre o aumento da perda de volume do manto de gelo da Groelândia ao longo da última década, mas a crescente contribuição da região nordeste é nova e muito surpreendente", reforça o pesquisador.

A GNET usa a elasticidade natural da Terra para medir a massa do manto de gelo. Mais de 50 estações da rede estão instaladas na Groenlândia. Com as medições, os pesquisadores descobriram que o manto de gelo dessa região perdeu cerca de 10 bilhões de toneladas por ano entre abril de 2003 e abril de 2012.

O gelo derretido do manto da Groenlândia é um dos maiores responsáveis pelo aumento do nível do mar nos últimos 20 anos, sendo a fonte de 0,5 milímetros dos 3,2 milímetros de elevação por ano.

Autoria Clarissa Neher

Edição Nádia Pontes

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