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Sustentabilidade

Diálogos Capitais

Presença de ministros e empresários marca seminário de sustentabilidade

por Rafael Nardini — publicado 24/08/2013 10h21, última modificação 26/08/2013 09h34
Evento contou com a presença de Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral)
Marcos Méndez / CartaCapital
Diálogos Capitais

Paulo Nigro, presidente da Tetra Pack, fala sobre o surgimento de políticas sustentáveis na produção de embalagens. Ele esteve no seminário O Brasil e os objetivos do desenvolvimento sustentável, da série Diálogos Capitais

Ministros, empresários e representantes setoriais e do terceiro setor estiveram lado a lado nesta sexta-feira (23) durante o seminário “O Brasil e os objetivos do desenvolvimento sustentável”, organizado por CartaCapital em parceria com a agência Envolverde. O ciclo de palestras realizado no Hotel InterContinental, em São Paulo, foi dividido em três mesas de debates ("Como o Brasil pode influenciar na implantação dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODM)"; "Tecnologia social: modelo para o Desenvolvimento Inclusivo" e "Resíduos Sólidos: os negócios pró logística reversa") e transmitido online na íntegra.

Na abertura do seminário, o ministro-chefe ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, apontou a necessidade de unir a sociedade civil para a construção de um novo caminho de desenvolvimento econômico que não esteja centrado no “consumismo exacerbado”, no individualismo nem na exclusão secular de grandes partes da população brasileira. “Ao mesmo tempo em que nos orgulhamos de incluir cerca de 40 milhões no consumo, o grande problema nesse processo é que o parâmetro de consumo e da relação com a natureza não foi alterado. Houve uma inclusão muito importante, mas ela acabou por gerar uma série de contradições”.

Como consequência dos "gritos" provenientes das manifestações que tomaram as ruas nos meses de junho e julho, o ministro alertou para a urgência nas melhorias dos padrões de qualidade dos serviços públicos e para a mudança de mentalidade coletiva - em especial, no uso de automóveis particulares nos grandes centros urbanos. “O povo não está mais disposto a ouvir e esperar. Nós precisamos de um verdadeiro salto de solidariedade”, afirmou Carvalho. 

Em direção parecida seguiu a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, que aproveitou sua fala para indicar a impossibilidade de tratar a agenda ambiental do país de maneira isolada. De acordo com ela, é necessário que sejam definidas metas de médio e longo prazo que incorporem também as demandas sociais e econômicas. “Dificilmente se pode discutir sustentabilidade com milhões de pessoas, infelizmente, ainda excluídas de tudo - excluídas até do consumo - e acreditar que as pessoas aceitem continuarem assim”, defendeu.

André Palhano, coordenador da Virada Sustentável - que neste ano contou com 600 atrações espalhadas por mais de 100 pontos da Grande São Paulo -, indicou que empresas e esferas governamentais tratam a sustentabilidade de maneira superficial. Para ele, aí mora um dos grandes desafios para que a pauta ambiental flua e se  torne mais próxima dos cidadãos. “Precisamos entender qual é a linguagem do Jardim Europa, mas também a de Parelheiros e de Heliópolis. A chave passe pela comunicação”. Segundo Palhano, esses mal-entendidos afetam diretamente pautas como a do consumo consciente. "Precisamos mostrar que não há restrição, mas melhora na qualidade de vida. Na questão da mobilidade urbana aqui em São Paulo fica bastante óbvio: as pessoas sonham com o carro e o que vemos o que está acontecendo com a cidade agora”.

A iniciativa privada também precisa fazer a sua parte. Ao menos é o que pensa o presidente da Tetra Pak, Paulo Nigro. “O que me dá o maior prazer é ver catadores que estavam no submundo, abaixo da linha da miséria, trabalhando nas esteiras com reciclagem”. Segundo ele, os trabalhadores que participam das ações da empresa de embalagens chegam a receber até R$ 1,6 mil mensais. Aliás, por falar em valores, Nigro cita ainda uma terceira etapa da sustentabilidade, que deveria ser encampada pelas empresas: o valor compartilhado. Ele explica: "As empresas que vão sobreviver serão aquelas capazes de gerar riquezas para si mesmas, mas que também compartilham essa riqueza com todas os elos da cadeia em que atuam". E onde entra a tão sonhada lucratividade nessa história? “Se estiver certo, teremos a preferência do consumidor consciente. E isso não vai levar muito tempo”.

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