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Sob críticas, rascunho do texto final da Rio+20 é aprovado

por Redação Carta Capital — publicado 19/06/2012 15h39, última modificação 19/06/2012 15h55
Ambientalistas falam em 'fracasso' da conferência e 'frustração' com documento final
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Negociações finais para o rascunho do texto da Rio+20 demoraram cerca de 14 horas. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Depois de sete dias de reuniões, as delegações que representam os 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) chegaram a um acordo sobre o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O texto, apresentado na madrugada desta terça-feira (19) pelo Brasil foi aprovado sem alterações na reunião plenária iniciada às 10h30 e que durou quase três horas.

O chefe de Comunicação das Nações Unidas na Rio+20, Nikhil Chandavarkar, disse que o texto foi aprovado sem alterações, apesar de alguns países terem demonstrado descontentamento com alguns pontos. “Os chefes de Estado têm direito de mudar o texto, mas os países já deram suas posições (com os negociadores), por isso acho difícil que haja mudanças.” Entre os pontos de divergência do documento estavam a questão do fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), já que alguns países defendiam a sua elevação ao status de agência, o que não foi acertado.

A delegação europeia havia criticado o texto por ser pouco ambicioso e por representar "um retrocesso do multilateralismo". A União Europeia propôs uma versão alternativa de vários parágrafos.

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, avaliou que o texto finalizado é “o melhor que se poderia conseguir". O documento que foi aprovado na íntegra será submetido aos chefes de Estado e de Governo que se reúnem a partir de amanhã (20), no Riocentro.

Ambientalistas criticam o texto

Para ambientalistas, o texto é um fracasso, e provocou frustrações. Para Carlos Rittl, da organização não governamental WWF-Brasil, faltou clareza sobre onde se quer chegar. “É uma grande frustração. Os processos se iniciam, a gente sabe onde é o começo, mas não sabe o caminho que eles tomam, nem onde eles chegam. A reação lá fora já é de frustração. A gente só espera que, logo depois da Rio+20, a gente tenha mais clareza de como vão se estabelecer esses processos”, disse. Rittl espera que, na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, que vai acontecer em setembro deste ano, os países demonstrem mais compromisso com os processos e tragam mais clareza, como onde se vai avançar, com que velocidade e o que se pretende atingir.

O representante da entidade ambientalista Greenpeace, Marcelo Furtado, também se sente frustrado. Segundo ele, o documento indica meramente um processo burocrático de negociação, mas não tem substância. “A grande vítima dessa conferência é a população planetária, a desigualdade e o meio ambiente. Se você pegar, por exemplo, a questão dos oceanos, que estava muito avançada e onde havia a expectativa de um acordo internacional e legalmente vinculante, para áreas protegidas marinhas internacionais, ele afundou”, avaliou.

Com informações da Agência Brasil e da AFP