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Belo Monte

Paródias ao vídeo-protesto de globais pipocam na internet

por Matheus Pichonelli publicado 29/11/2011 17h27, última modificação 29/11/2011 17h51
Estudantes da Unicamp rebatem argumentos dos artistas, enquanto Rafinha Bastos ironiza eficiência de abaixo-assinado e repentina preocupação com os índios
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Estudante da Unicamp grava vídeo-resposta ao apelo dos globais contra Belo Monte. Foto: Reprodução

Não têm a mesma dicção, nem o mesmo apelo dos artistas de novela que, em vídeo dirigido pelo ator Sérgio Marone, lançaram na internet um manifesto eletrônico contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

 

A reação ao vídeo, que incitava os internautas a assinar um abaixo-assinado pedindo a paralisação do empreendimento, levou um grupo de estudantes de Engenharia Civil da Unicamp a postar uma mensagem, nas redes sociais, com os mesmos moldes do manifesto dos artistas globais – denominado Movimento Gota D’Água. O deles: Movimento Tempestade em Copo D'Àgua.

Postado em 26 de novembro, o vídeo  havia sido acessado por mais de 100 mil pessoas até o meio da tarde da terça-feira 29. Na mensagem, os estudantes contestam os argumentos usados pelos globais, que criticam os impactos ambientais que serão provocados pelo empreendimento e seus custos, avaliados em 19 bilhões de reais – um valor menor do que o divulgado pelos artistas.

O vídeo-resposta relativiza o valor da obra, que equivale, lembram eles, ao perdão da dívida de quatro banqueiros no País. Eles defendem que os recursos para as obras sejam públicos (num contraponto ao “seu, o meu, o nosso dinheiro” que financiaria a aventura amazônica, segundo o discurso dos globais). Tudo para que a iniciativa privada não entre com a grana e fique com a energia.

Segundo os estudantes, a área a ser alagada é menor do que o divulgado pelos globais e parte do local já foi desmatado “para fim algum”.

Eles ironizam a fala dos globais, segundo quem o empreendimento atingiria o Parque Nacional do Xingu – localizado, lembram eles, em Mato Grosso, longe da área da usina, que é construída no rio Xingu.

Na conta dos alunos, com o desmatamento registrado na região amazônica dava para construir uma usina de Belo Monte a cada dois meses.

Em resposta à capacidade energética da usina, que operaria apenas durante parte do ano, eles lembram que nenhuma hidrelétrica opera com 100% de sua capacidade.

Sobre a realocação dos índios que vivem nas áreas atingidas – capaz, segundo os globais, de provocar a favelização de cidades do entorno –, o vídeo cita os investimentos previstos para a urbanização da regia. Eles contestam ainda a sugestão dos artistas, segundo quem apenas energia eólica ou solar seriam eficazes. Os estudantes dizem que essas opções também causariam impactos e lembram que a água entra limpa e sai limpa das usinas.

O vídeo é encerrado com uma fala do engenheiro eletrônico Sebastião Amorim, professor de estatísticas da Unicamp que diz: “Se Belo Monte fosse na Austrália, na Suécia, na Alemanha ou no Canadá, já teria sido construída há muito tempo”. Ele se queixa das desinformação que corre sobre o assunto e pede aos espectadores para se informem antes de iniciar o debate.

Rafinha Bastos

Quem também reagiu ao vídeo dos globais, mas de forma mais ácida, foi o humorista Rafinha Bastos, ex-CQC. Num vídeo-paródia, ele pergunta se os espectadores sabem o que é Belo Monte e provoca: “Não sabe? Eu sei. Porque eu sou uma celebridade, e nós, celebridades, estamos superconectadas nesses assuntos de ecologia”, ironiza.

 

No vídeo, ele simula confusão ao falar a palavra “hidrelétrica” e satiriza a repentina preocupação com a situação dos índios brasileiros. “Gente, os índios estão em perigo. Caguei a vida inteira para eles? Caguei. Agora estou aqui, nessa luta, junto com o Marcos Palmeira, o Joao Pedro da novela Renascer (no fundo aparece no CG: o Guma de Porto dos Milagres)”.

Ele diz que o problema da usina é que ela vai molhar as pessoas, os edifícios e que, com ela, “o mundo pode acabar”.

Ao ser informado por um produtor que cabe ao Congresso, eleito pela população, decidir ou não sobre as obras, ele responde, irônico: “Mas a Maitê Proença falou que não era certo...”

Por fim, ele incita o espectador a acessar o site de um movimento chamado “Gota de Bosta” e pede que as pessoas participem de um abaixo-assinado (como fizeram os globais), uma maneira classificada por ele como “eficiente para acabar com problemas históricos”, como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Iraque e o Campeonato Brasileiro de 87.