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Aumento dos preços

ONU pede ação rápida e coordenada contra nova crise alimentar

por Redação Carta Capital — publicado 04/09/2012 10h38, última modificação 06/06/2015 18h28
A alta das cotações do milho, do trigo e da soja colocou a ONU em alerta. Entidades acreditam que a crise de 2007/2008 pode se repetir
FAO

José Graziano Silva, diretor da FAO, durante coletiva de imprensa em março. Foto: ©AFP / Juan Mabromata

ROMA (AFP) - As três agências da ONU responsáveis pelas questões alimentares fizeram nesta terça-feira 4 em Roma um apelo em favor de uma "ação rápida e coordenada em escala internacional" para impedir a repetição da crise alimentar de 2007/2008, causada por uma disparada dos preços.

Em um comunicado conjunto, José Graziano da Silva, diretor geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), Kanayo F. Nwanze, presidente da FIDA (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola) e Ertharin Cousin, diretora do Programa Mundial de Alimentos (PMA), pedem que "as causas profundas da alta dos preços dos alimentos sejam enfrentadas".

"A situação que reina nos mercados dos alimentos, caracterizada por uma forte alta das cotações de milho, do trigo e da soja, desperta o temor de que se reproduza a crise alimentar de 2007-2008", afirmam. "Mas uma intervenção rápida e coordenada em escala internacional pode impedir a repetição", explicam os três. "É necessário atuar sem perda de tempo para evitar que o impacto dos preços leve a uma catástrofe que afete dezenas de milhões de pessoas nos próximos meses", advertem.

Segundo a FAO, o PMA e o FIDA, "os elevados preços dos alimentos são um sintoma, e não a doença. Por isto, a comunidade internacional deve adotar medidas preventivas para impedir as altas excessivas, atuando nas causas profundas que originam estas fortes altas dos preços", concluem.

Custo do milho no Brasil e no exterior pressiona mercado de carnes

O custo do milho nos mercados nacional e internacional, com a forte alta provocada pela quebra de safra nas principais regiões produtoras do grão que sofreram com a seca este ano, como os Estados Unidos e o Sul do Brasil, tem pressionado fortemente o mercado de carnes. Ao lado da soja (farelo de soja) o produto é a principal matéria-prima para a produção de carne bovina, suína e de aves nos Estados Unidos e de aves e suínos no Brasil.

O preço da saca de milho chegou a quase R$ 35 e o da soja a R$ 85, em média. O preço mínimo, usado como referência de mercado para garantia de aquisição pelo governo federal, foi R$ 13,02 para a saca de 60 quilos de milho e R$ 22,87 para a saca de soja.

No Brasil, onde a produção de aves e suínos é mais sensível ao problema, o governo tem usado o estoque regulador para amenizar os impactos. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 1,2 milhão de toneladas de milho estão disponíveis para regulação. Parte desse estoque tem sido disponibilizada no mercado a preços subsidiados em relação aos atuais.

As regiões Nordeste e Sul do país, que mais sofreram com a estiagem e que têm sentido mais fortemente os impactos dos preços de grãos na produção de carne, são prioridade.

Com informações AFP Móvel e da Agência Brasil