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Mudanças climáticas

11% das espécies serão extintas até 2100

por Envolverde — publicado 13/07/2011 18h29, última modificação 13/07/2011 18h35
“Estamos na sexta grande extinção em massa", dizem pesquisadores da Universidade de Exeter

Por Jeremy Hance, do Mongabay*

Há décadas cientistas preveem que as mudanças climáticas podem ter um impacto grave sobre a vida na Terra, que já está enfrentando diversas ameaças como a perda de habitats, super-exploração, poluição, espécies invasoras e outros.

Entretanto, é difícil obter provas empíricas das extinções, e até mesmo da ameaça, causadas pelas mudanças no clima. Um novo estudo publicado no periódico Proceeding of the National Academy of Science revelou que em torno do ano 2100 as mudanças climáticas podem ter colocado em extinção mais de 11% das espécies do mundo.

“Muitos cientistas defendem que estamos entrando na sexta grande extinção em massa e que a mudança climática antropogênica é uma das maiores ameaças a biodiversidade global”, declararam os pesquisadores.

Classificando estudos recentes, Ilya Maclean e Robert Wilson do Centro para Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, descobriram evidencias generalizadas de mais cem maneiras nas quais a mudança do clima já está impactando espécies, incluindo o aumento das temperaturas, mudança na precipitação e redução do gelo marinho. Eles também notaram uma série de eventos previstos, mas ainda não observados, que poderão impactar as espécies, segundo cientistas.

“As respostas incluem mudanças documentadas no risco de extinção, tamanho de populações e distribuição geográfica para 305 taxa de todos os principais grupos de organismos, abrangendo uma porção alta da superfície terrestre e marinha global”, escreveram os cientistas completando que as espécies de vertebrados parecem mais ameaçadas pelas mudanças do clima do que as plantas ou invertebrados.

Porém, os estudiosos admitem que há grandes brechas nas pesquisas realizadas até agora.

“Mais estudos sobre os efeitos, como as modificações nos padrões de circulação oceânica e na acidez dos organismos marinhos melhorariam as estimativas de risco de extinção”, ponderam.

As espécies dos trópicos, como a vida selvagem das florestas tropicais e insetos em geral, também são negligenciados em termos de impacto das mudanças do clima.

“Existem vários (fatores) desconhecidos na projeção do declínio da biodiversidade, então estes valores devem ser interpretados com precaução”, dizem os cientistas. Porém, eles relembram que os seus dados levaram em conta diversas possibilidades de distorções.

Dado que as mudanças do clima impactarão espécies já sob pressão por uma série de outras ameaças de grande escala, os pesquisadores dizem que suas estimativas são acima de tudo conservadoras.

Todavia, se o modelo for preciso, as mudanças climáticas causadas pelo homem podem ser responsáveis pelo desaparecimento de milhares ou até milhões de espécies.

Atualmente, cerca de 2 milhões de espécies foram descritas por cientistas desde o século XVIII, porém ninguém sabe quantas existem no planeta. Estimativas giram em torno de 5 milhões a 100 milhões. Descobertas recentes de comunidades de micróbios abundantes nos oceanos podem levar as estimativas ainda mais alto, possivelmente para um bilhão de espécies.

Matéria originalmente publicada na agência Envolverde