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Rio+20

Governos são incapazes de enfrentar a crise ambiental

por Redação Carta Capital — publicado 22/06/2012 15h02, última modificação 22/06/2012 15h22
Texto final da conferência revela a incapacidade dos governos de responder à altura dos desafios
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Chefes de Estado e de Governo participam da terceira reunião plenária na Rio+20. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Por Lisa Gunn

No discurso para plenária, no Riocentro, vários chefes de estado reconheceram a frustração com a falta de ambição do documento da Rio+20. O texto de fato reflete a falta de avanços concretos na mudança dos padrões de produção e consumo e a incapacidade dos governos de responder à altura dos desafios de garantir a todos o acesso a bens e serviços necessários.

Grande parte do documento é reafirmação de compromissos já assumidos e o pouco que tem de ação fica para depois: teremos o chamado Quadro de Programas de 10 anos em Produção e Consumo Sustentáveis (10YPSPC) e em 2015 definiremos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio. Com um documento sem metas, prazos e origem dos recursos para transição, fica difícil afirmar que avançamos. A expectativa era que os governos dos países definissem mecanismos (políticos, empresariais, sociais) para catalisar a mudança do sistema de produção e consumo.

Enquanto a Conferência das Nações Unidas chega a um documento fraco, milhares de pessoas foram às ruas na Marcha em Defesa dos Bens Comuns e Contra a Mercantilização da Vida. Eram muitas pessoas protestando por mudanças, com diferentes movimentos expondo e denunciando causas estruturais dos problemas que enfrentamos e as falsas soluções. Em camisetas, cartazes, bandeiras, falas, indicações de propostas de soluções reais para erradicar a injustiça social, econômica e ambiental. A Marcha é um momento de articulação de diferentes povos e lutas por direitos, que são desrespeitados pela mesma lógica injusta e insustentável. A frustração do Riocentro é um pouco compensada pela energia e resistência da Marcha.

Para além da Rio+20

Enquanto os governos dos países não conseguem agir de forma colaborativa para enfrentar o problema que é comum, a sociedade civil precisa se organizar, pressionar e agir para encontrar os meios de massificar as experiências de produção e consumo mais sustentáveis. Os problemas já conhecemos, já concordamos (?) para onde devemos ir, mas precisamos decidir como vamos chegar onde queremos e agir. Os governos precisam implementar políticas públicas integradas e as empresas precisam mudar seus modelos de negócio. Mesmo tendo passado a Rio+20, as propostas dos consumidores para o consumo sustentável continuam válidas e nós vamos trabalhar pela implementação de medidas concretas.

*É coordenadora-executiva do Idec, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)