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Diálogos Capitais

Energias renováveis sob a ótica empresarial

por Paula Thomaz — publicado 06/08/2010 16h47, última modificação 11/08/2010 11h39
Na primeira mesa do seminário "O Brasil e as energias do amanhã", os palestrantes falaram sobre seus projetos e ações
Diálogos Capitais

A primeira mesa do seminário. Em pé, Renato de Andrade Costa, da Petrobras, depois Márcia Leal, Ricardo Young e Marcus Jank. Foto: Régis Filho

A primeira mesa de debates dos Diálogos Capitais, que aconteceu na sexta-feira, mediada por Ricardo Young, conselheiro do WWF, foi composta por Marcos Jank, presidente da Única – União da Indústria de Cana-de-açúcar; Renato de Andrade Costa, gerente-geral de negócios de energia do Gás da Petrobras e Márcia Leal, chefe do departamento de energia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O vazamento de petróleo no golfo do México que aconteceu há quase quatro meses foi um dos pontos iniciais abordados pelo palestrante Marcos Jank, presidente da Única – União da Indústria de Cana-de-açúcar. Para ele, falar sobre as tendências dos biocombustíveis no Brasil significa falar também de um mundo “pós-petróleo”. Mas ressalta: “não quer dizer que ele vá desaparecer”.

O mundo pede diversificação de energia e isso significa “o petróleo vai começar a ser substituído (...) porque o Brasil desenvolve várias experiências em biocombustível.” Num breve histórico, o palestrante falou que a primeira vez que o biocombustível se tornou importante para o Brasil foi nos anos 1970, com o Proálcool – que foi desenvolvido para evitar o aumento da dependência externa de divisas quando dos choques de preço de petróleo por conta da substituição ao petróleo. Até os anos 1990, o projeto foi esmorecendo e perdendo a importância para os governantes. “As ações voltadas para essa área renasceram em 2003 pelas mãos da indústria automobilística.” Esse momento ele chama de auge da segunda fase do Proálcool. Que é a do carro flex, “hoje chegamos a quase 50% da frota de carros flex no Brasil e 90% dos carros novos vendidos são os bicombustíveis. Segundo Jank, somente há dois anos começa a terceira fase do Proálcool, que foi a decisão dos EUA e da União Europeia de caminhar para a mistura de etanol com a de biodiesel nos combustíveis fósseis. “Essa é uma das alternativas para resolver o problema do petróleo mais caro e altamente poluente. Nós estamos falando em emitir menos CO2, redução de poluição nos escapamentos, por exigência de legislações que estão sendo criadas nesses países de obviamente diversificar as fontes energéticas. Os 200 países que há no mundo dependem dos 20 que têm petróleo.”

Ao longo dos últimos 30 anos a cana-de-açúcar se tornou um novo paradigma do setor energético. “Gostemos ou não queiramos ou não. E é reconhecida lá fora como uma solução de baixo carbono”, afirma.

Apesar de a discussão climática estar na ordem do dia e sobre sustentabilidade estar na ordem do dia, o pré-sal tem destaque no cenário econômico nacional. Jank não acha que o debate sobre o pré-sal vá ofuscar a importância da cana. “O debate está acontecendo porque todo mundo que descobre petróleo fica picado pela doença holandesa. Acho que isso vem na contramão do que o Brasil vinha fazendo e o mundo está querendo aprender com o Brasil como se faz para reduzir carbono na gasolina.”

Além disso, o cálculo feito pela Única mostra o alto potencial de bioeletricidade que,segundo Jank, é o de 13 /14 mil megawatts médios “e isso equivale a três usinas de Belo Monte. Nós temos, neste momento, três Belos Montes adormecidas nos canaviais brasileiros nos canaviais brasileiros. Eu não estou falando de plantar mais cana para fazer energia elétrica. Estou falando de, simplesmente usar o bagaço e a palha que já existem hoje.”

O representante da Única levanta alguns riscos e desafios da utilização da cana. “Ainda temos no Brasil uma imensa ciclotimia de políticas públicas energéticas. Falta transparência na formação de preços principalmente no caso da gasolina e dos impostos que incidem sobre a gasolina e sobre o álcool. Esse é um setor muito fragmentado que agora começa a ficar um pouco mais concentrado na mão de novos grupos que estão entrando.”

Uma nova frente - Sempre relacionada ao petróleo, a Petrobras mostrou como está inserida na área de energias renováveis, principalmente o gás. Apresentação feita pelo gerente-geral de negócios de energia do gás, Renato de Andrade Costa, fala que fontes complementares. Só o álcool e a gasolina não vão atender a demanda de combustível no país. E que, para a geração de energia elétrica, a Petrobras vai priorizar o gás em detrimento de óleo combustível. O gás é necessário de forma flexível. E a Petrobras construiu uma infraestrutura que permite o fornecimento do gás de acordo coma demanda”, diz.

Pensando além do petróleo, a Petrobras atua também no setor elétrico com usinas termelétricas, eólicas e hidroelétricas. Em 2000, começou a construir termelétricas e ampliou a participação no setor.

O parque gerador possui 15 unidades próprias, de subsidiárias ou de empresas que temos participação acionária. A capacidade total de geração elétrica das usinas é superior a cinco mil megawatts (MW).

Durante a apresentação, Renato de Andrade Costa falou da unidade piloto da Petrobras de energia eólica. “Para gerar eletricidade com a força dos ventos, possuímos, desde 2004, uma unidade-piloto em Macau (RN), com potência instalada de 1,8 MW.”

Pequenas centrais hidrelétricas também fazem parte dos investimentos da empresa. Elas possibilitam atendimento às necessidades de carga de pequenos centros urbanos, regiões rurais e unidades industriais.

A subsidiária Petrobras Distribuidora também participa do setor elétrico oferecendo serviços como eficiência energética, co-geração, geração com biomassa, comercialização de energia e geração na ponta

Financiamento de projetos – Márcia Leal, chefe do departamento de energia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), falou sobre o apoio do BNDES ao setor elétrico e que vem dando ênfase na diversificação energética. Segundo Márcia, “o banco tem apoiado fortemente no setor elétrico”. Contudo, o setor hidrelétrico é o que mais recebe financiamentos, mas ela diz que as termelétricas são bastante relevantes no portfólio do banco.

A chefe do departamento de energia explicou que “as condições para financiamento de projetos de biomassa são iguais. Os prazos são os mesmos (16 anos). Sempre sujeita às capacidades de pagamento dos projetos que tem de ser auto-sustentáveis. O spread básico também é o mesmo. As usinas à gás tem um prazo um pouco menor, mas o spread é o mesmo.” Em relação às usinas de carvão e óleo o financiamento é concedido desde que esteja na política de expansão do Ministério de Minas e Energia, “mas as condições são mais rigorosas e o spread é bem maior e metade do financiamento”, fala.

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Fique com o artigo de Antonio Nobre

Na segunda-feira, leia a cobertura completa do seminário.