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Responsabilidade social

Do lixo eleitoral à propaganda consciente

por Envolverde — publicado 13/10/2010 12h05, última modificação 13/10/2010 12h28
Sustentabilidade exige o entendimento de conceitos

Sustentabilidade exige o entendimento de conceitos

Por Silvia Marcuzzo, para o Mercado Ético

Enquanto eu sobrevivo aos impactos da viagem a São Paulo, minha pobre cidade, Porto Alegre, tenta reagir à imundície que ficou depois da eleições. Clique aqui para conferir a reportagem da RBS TV que foi ao ar no jornal RBS Notícias, da noite de 5 de outubro, que mostrou um pouco do que faço para separar o lixo na minha casa. Infelizmente, a Capital gaúcha não conta com uma “Lei Cidade Limpa”. Em todas as ruas tem mídias visuais enormes: outdoors, backlights, placas nas esquinas, nas calçadas e os letreiros das lojas são maiores que as janelas e as portas. Sinais de que a intitulada “Capital do Mercosul” a cada dia mostra a perda da sua qualidade de vida.

Unomarketing, pra inglês, brasileiro e alemão ver

Aproveitando o gancho da poluição visual, volto a falar do Unomarketing. Para o pessoal de São Paulo que sofre de overdose de eventos, pode ter sido mais um. Mas pra mim não foi. Acho que o Unomarketing trouxe à tona muitos assuntos meio tabus, meio incompreendidos e serviu para dar uma clareada no meio de campo e até dar um empurrãozinho para normatizar algumas coisas. Talvez no futuro vá se entender melhor o que ele representou, arrisco em dizer.

O encontro reuniu realizadores, críticos e empreendedores sociais, gente que faz e que vive do que as tendências apontam (quer dizer modas, botons, cartazes, sandálias e por aí vai). Mostrou como há vários níveis de entendimento do que é ser eco. E isso é um looooooonngoooo caminho para ser e ter ECO de verdade.

No primeiro painel, o título foi provocador: “Responsabilidade pessoal: ética, inovação e autenticidade como condutores dos processos criativos”.

Os participantes, experientes e descolados, acrescentaram várias contribuições, após a palestra inspiradora de Ari Raynsford, que mostrou níveis de consciência do Homo sapiens – mítico, racional, egocêntrico etc. O grupo evidenciou à platéia tendências e dificuldades sentidas pelos profissionais que estão tratando da propagação desse tema tão falado, mas pouco compreendido que é a sustentabilidade.

E uma das barreiras é o próprio profissional da comunicação.

Ricardo Voltolini, da Ideia Socioambiental, comentou uma questão impensável, até pouco tempo. Hoje, o bom profissional não quer só ter um bom salário, quer ter seus valores pessoais afinados com a empresa onde trabalha.

E a Sonia Favretto, jornalista que já transitou por vários ambientes e hoje é diretora de sustentabilidade da BM&FBOVESPA, acrescentou outro argumento, que serve para profunda reflexão: para se entender melhor os meandros da sustentabilidade é fundamental ter humildade. E isso, na nossa área é um elemento, digamos assim, meio raro… Pois muitos não sabem se são Deus, eles tem certeza… Sonia acredita que a melhor forma de transmitir, de tocar os públicos é a vivência, de um jeito informal, onde as pessoas consigam sentir o que está sendo proposto.

Outra questão, apontada pela Monica Dias Pinto, gerente de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho é que “todos somos produtores de conhecimento”. E nesse processo, o diálogo, a negociação, os consensos – até mesmo os temporários – servem para transformar e serem transformados. No meio de tudo isso, ela acrescentou: vivemos uma revisão de valores, de posições, defendeu a produtora de conteúdos do Canal Futura.

Tudo isso é sinal de que as pessoas estão em processo de evolução, sintetizou Hiran Castello Branco, vice-presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Ele também reconhece a transversalidade do tema, que deve permear cada vez mais todos os segmentos da sociedade. O publicitário também endossou as afirmações de Voltolini, ao dar um exemplo de um jovem que largou uma carreira de executivo bem sucedida para estudar Filosofia.

Todos foram unânimes em concluir que a sustentabilidade exige o entendimento de conceitos, é um tema complexo. Exige humildade, interdependência, transversalidade e o mais difícil: é preciso dar o recado “sem querer modificar as pessoas”, cutucou Ari Raynsford, estudioso da obra de Ken Wilber ( site em inglês).

E mais!

Eis alguns pensamentos que também chamaram a atenção da manhã do primeiro dia do evento (28/09)

É preciso entender o impacto emocional, cognitivo e de mobilização da comunicação sobre as soluções sustentáveis. Fabián Echegaray, diretor do Market Analysis.

E aí entra-se na esfera da reputação. Mais: nas propostas mobilizadoras.

O desafio, na verdade, é dar sentido às coisas! Pois se os alunos hoje são clientes, há uma explosão no número de religiões e uma busca desenfreada pela essência da vida, o sentido se dá na maneira como se atua. Foi o que compreendi da fala de Fernando Rossetti, secretário geral do Grupo de Estudos, Fundações e Empresas.

Por tudo isso, a confiança foi colocada como um elemento central nesse universo onde o diálogo é o ambiente ideal para fixação de raízes.

Por hoje, fico por aqui. Mas vem mais… salpicadas, alfinetadas e algumas gargalhadas.

(Envolverde/Mercado Ético)