Você está aqui: Página Inicial / Sustentabilidade / Dez Itaipus ao vento

sustentabilidade

Conferência de Energia Eólica do Brasil

Dez Itaipus ao vento

por Marcelo Pellegrini — publicado 02/04/2012 15h35, última modificação 02/04/2012 16h00
Na Conferência de Energia Eólica do Brasil, especialistas falam sobre o potencial no setor e revelam haver um verdadeiro "Pré-Sal" no Sertão
usina-eolica

Durante a Conferência de Energia Eólica do Brasil, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revela o potencial inaproveitado do País no setor. Foto: Agência USP

A energia eólica é uma fonte de energia renovável com um potencial ainda pouco aproveitado no mundo e - sobretudo no Brasil. Atualmente, representa apenas 0,4% da matriz energética brasileira, mas estima-se que seu potencial seja de, no mínimo, 143GW. Isso equivale à produção de dez usinas de Itapu somadas.

 

“Esse dado é o piso e acreditamos estar subestimado. Os 143GW foram estimados com medições de ventos a 50 metros de altura, mas hoje já temos medições de operar com equipamentos que trabalham a 100 metros de altura”, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Em 2005, o Brasil produzia 28MW, com 10 usinas. “Estávamos praticamente do zero até os leilões de 2009 e agora estimamos produzir 7 mil MW até 2014”.

Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), hoje o País produz 1.471 MW, possui usinas em construção que fornecerão 1.200 MW e possui um potencial de 6.000 MW em contratos.

Para Tolmasquim, o Brasil tem uma grande vantagem em relação aos outros países devido ao fato de sua matriz energética predominante ser a hidrelétrica (91%).

“Descobrimos que o ciclo da água é complementar ao ciclo dos ventos. Ou seja, quando está ventando mais é quando menos temos volume de água”, diz.

Com isso, a energia eólica pode funcionar como uma bateria da hidrelétrica. “Quando venta, a hidrelétrica para de gerar energia e acumula água e vice-versa. Assim, usamos duas grandes fontes renováveis que se complementam”, completa.

Além disso, a energia eólica é, depois da hídrica, a de menor custo. E entre as fontes alternativas, é a que tem o menor preço.

Pré-sal do Sertão

Criado em 2005, o Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica) foi a primeira tentativa para incentivar busca de implementação de parques eólicos no País.

O programa esbarrou na baixa atratividade do setor devido aos altos custos de produção desta forma de energia.

Entretanto, em 2009, com os avanços tecnológicos do setor e com leilões com condições mais atrativas para os investidores, teve início uma espécie de boom eólico brasileiro.

Com parques localizados predominantemente no Nordeste e na região Sul do País, o setor de energia eólica emprega 12 mil pessoas por ano e pretende colocar mais 20 mil pessoas nas construções dos parques previstos até 2016.

Além da geração de emprego, o incremento da renda acontece por meio da negociação com os proprietários das terras que se tornarão parques eólicos.

“Negociamos diretamente com os proprietários das terras. Com isso, não os forçamos a ceder suas posses, muitas vezes irregulares, por baixos preços para o Estado”, afirma Elbia Mello, presidente-executiva da Associação ABEEólica.

Ciência e Meio Ambiente

Segundo Colin Johnson, diretor da empresa britânica de energia Grant Thornton, a crise europeia e o modelo de leilão brasileiro têm atraído muitos investidores estrangeiros. Prova disso é que o Brasil possui 8 fábricas eólicas, enquanto possuía apenas duas em 2009.

Para Mello, o desafio brasileiro agora é incentivar a industrialização do setor.

“A inserção já houve, agora precisamos consolidar essa indústria e elaborarmos uma tecnologia que se adapte melhor à realidade brasileira”, revela.

Atualmente, a ABEEólica trabalha por meio de convênios com universidades em uma rede de pesquisa de energia eólica para investir em inovação e otimizar o aproveitamento dos parques brasileiros.

Outro argumento é o setor ambiental. Com uma expansão média anual de 12% para o setor, estima-se que a energia eólica evitará o despejo de 16 bilhões de toneladas de CO2 até 2020.

“Isso representa metade da emissão mundial de CO2 , somente por queima de combustíveis fósseis e produção de cimento”, avalia Mello.

Além disso, segundo Johnson, a energia eólica não depende da volatilidade política ao redor do mundo, como o petróleo por exemplo. “Inicialmente a energia eólica era diretamente relacionada com a questão ambiental, mas agora tem caráter e viabilidade econômica”, defende.

Em 2011, os investimentos na América Latina no setor eólico aumentou cerca de 39%. De acordo com Tolmasquim, da EPE, “se os demais países instalarem o mesmo de parque que instalaram em 2011 e o Brasil instalar o que foi contratado, o País sairá do 20º para o 10º lugar, em 2012, em parques eólicos. E sairá da 11ª para a 4ª posição em incremento (instalação)”, diz.