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Aquecimento global

Concentração de gases estufa aumentou 20% na última década

por Redação Carta Capital — publicado 21/11/2012 10h30, última modificação 06/06/2015 18h41
Emissão de gases está 14% acima da meta de 2020 para evitar aumento elevado da temperatura do planeta
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Foto: Mikael Miettinen/Flickr

A poucos dias do início da Conferência de Mudanças Climáticas em Doha, um estudo do PNUMA, órgão da ONU para meio ambiente, mostra uma realidade preocupante. Os níveis de emissões de gases estufa no planeta estão 14% acima do que precisariam estar em 2020 para que o aumento médio da temperatura mundial devido ao aquecimento global fique abaixo de 2ºC graus neste século.

Ao invés de cair, a concentração de gases de aquecimento global, como CO2, está 20% mais elevada que em 2000. Os dados do relatório The Emissions Gap, coordenado pelo Programa Ambiental da ONU e a Fundação Europeia de Clima, foram divulgados nesta quarta-feira 21.

Segundo o estudo, que envolveu 55 cientistas de mais de 20 países, se não houver uma mudança global de atitude, em oito anos as emissões devem atingir 58 gigatoneladas. Mas relatórios anteriores apontavam que as emissões precisariam ficar entre 44 GT ou menos até 2020, para tornar viáveis novos e maiores cortes necessários.

Outro dado também chama atenção. Mesmo que os níveis de redução mais ambiciosos fossem colocados em prática por todos os países, nas regras mais restritas, faltariam 8 GT de CO2 para atingir a meta de 2020. Essa diferença aumentou 2 GTs em relação a 2011.

Ao não agir para realizar uma drástica redução de emissões de CO2 até 2020, o PNUMA estima custos ao menos entre 10% e 15% mais caros se essas medidas forem adiadas para as próximas décadas.

Estimativas do relatório também apontam para a possibilidade de redução de 17 GT de CO2 em setores como construção, geração de energia e transportes. A melhora da eficiência energética nas indústrias, por exemplo, poderia trazer cortes entre 1,5 e 4,6 GT, e manter as florestas em pé, entre 1,3 e 4,2 GT.

O PNUMA cita ainda que Brasil e Costa Rica, ao combaterem o desmatamento, evitaram o despejo de toneladas de gases estufa na atmosfera. No Brasil, a queda do desmatamento propiciou uma redução de 2,8 GT de CO2 entre 2006 e 2011. Na Costa Rica, as áreas protegidas aumentaram os turistas de 390 mil em 1988 para 2,5 milhões em 2008, tornando o setor responsável por cerca de 15% do PIB do país.