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Convenção Climática

Cancún, negociações intensas

por COP 16 — publicado 07/12/2010 10h46, última modificação 07/12/2010 11h02
Presidentes e primeiros-ministros se reunirão hoje para decidir sobre as minutas do dia. Senso de urgência foi provocado por testemunhos de países

Por Milton Nogueira

Nesta terça-feira 7 começa o ciclo em que presidentes e primeiros-ministros de vários países se reunirão para decidir sobre as minutas preparadas até hoje. As negociações não caminham para o fracasso,  como dizem alguns jornais, mas seguem como meras negociações, com muito de "posar de galo (posturing)" e tomá-lá-dá-cá. Hoje aumentou o senso de urgência, advinda dos inúmeros testemunhos de países sobre seus casos de onda de calor, enchentes, furacões, derretimento, insegurança alimentar, migrações, identificados em todo o mundo. Há uma esperança desse susto geral levar os líderes mundiais a se porem de acordo sobre coisas setoriais. Como nos exemplos abaixo.

- Prorrogação do Protocolo de Kyoto, isto é, para continuar valendo o mercado de carbono, do qual o Brasil é um grande beneficiário

-Um acordo para compensação por manter florestas em pé, que já está discutido e pronto para ser levado ao plenário, para adoção

-Transferência de tecnologias climáticas, especialmente para adaptação em países mais vulneráveis; também já foi discutido em detalhes

Há, no entanto, vários itens sob controverso debate.

-A própria reformulação do PK
-A criação do imposto do carbono
-Fixação de metas para países em desenvolvimento, grandes emissores tais como China, Índia, Brasil, África do Sul e outros
-Financiamento do Fundo Climático Mundial
-Proteção da Amazônia, a noiva linda e rica do movimento ambientalista mundial. Lamentavelmente, ninguém quer namorar o cerrado

As barracas de entidades empresariais mundiais, de Ongs, de povos aborígines, de universidades continuam lindíssimas, com ideias para diminuírem emissões sem diminuir o conforto e a qualidade de vida. Várias prefeituras enviaram mostras de como elas já veem fazendo para diminuir o desperdício no automóvel, realinhamento de prioridades urbanas e participação de cidadãos. Porto Alegre e Curitiba são citados.

Cientistas, em eventos que entopem salas, berram sobre a deterioração de geleiras, solos, pescas, rios, oceanos e ar. As Ongs do carvão mineral e do petróleo, por outro lado, se escondem no fim do corredor, como o gato que acabou de engolir o canário.