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Caminhos de solução passam por Estados Unidos, China e União Europeia

por Envolverde — publicado 17/02/2011 11h31, última modificação 17/02/2011 11h32
A ministra da Defesa da Espanha, a socialista Carme Chacón, destacou que a cada ano mais de 250 milhões de pessoas são afetadas por desastres naturais. Por Tito Drago

Por Tito Drago, da IPS

Madri, Espanha, 17/2/2011 – A mudança climática é a maior ameaça universal e, portanto, exige uma resposta global, mas se Estados Unidos, China e Europa, os maiores contaminadores do planeta, entrarem em acordo, é certo que se poderá enfrentar melhor a situação, afirmou o ex-deputado espanhol Manuel Marín. A variação do clima, devido ao aquecimento global, é um problema com “vários envoltórios”, como se fossem casca de cebola, explicou. Assim estão as questões econômica, a geopolítica e a geoestratégica, tudo relativo ao modelo energético e também de segurança, afirmou Manuel à IPS.

“São envoltórios sujeitos a mudanças formidáveis nas relações internacionais”, acrescentou este dirigente socialista de longa trajetória na União Europeia, lembrando como exemplo que “o possuidor mais importante de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, atualmente, é o Banco Popular da China” (banco central). “Esta circunstância, que seria inconcebível para a revolução comunista de Mao Tse Tung e uma autêntica aberração para o patriotismo sem complexos de Ronald Reagan (presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989), é uma realidade que faz grande parte da estabilidade monetária mundial depender das decisões financeiras da China”, acrescentou.

O problema é mundial, mas os responsáveis são uns poucos, insistiu Manuel, que participou junto com outros especialistas de um fórum realizado na sede do Ministério da Defesa, em Madri, para comemorar o quadragésimo aniversário da criação do instituto Espanhol de Estudos Estratégicos (IEEE), atualmente dirigido por Miguel Ángel Ballesteros Martín.

A costarriquenha Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, disse à IPS que há vários anos a mudança climática não é tratada unilateralmente, focando-se globalmente tanto a partir da Organização das Nações Unidas (ONU) quanto de outras instituições multilaterais e governos nacionais. A ONU prevê realizar em 2012, no Rio de Janeiro, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Cúpula Rio+20), na qual serão examinados os avanços dos projetos aprovados até então e as novas medidas que poderão ser adotadas.

Por sua vez, a ministra da Defesa da Espanha, a socialista Carme Chacón, destacou que a cada ano mais de 250 milhões de pessoas são afetadas por desastres naturais e, se não forem tomadas medidas adequadas, esta situação vai piorar ainda mais, pois a temperatura do planeta poderá aumentar neste século até três graus. É inevitável que a contaminação continue aumentando, ao menos nos próximos anos, mas “isso não deve nos levar à inanição, e sim a buscar e aplicar respostas”, ressaltou.

Carme também se mostrou otimista sobre a possibilidade de se chegar a um consenso em escala internacional que substitua o Protocolo de Kyoto, em vigor desde 2005 e que não tem adesão dos Estados Unidos. Esse acordo, obrigatório para 35 nações industrializadas, estabelece que em 2012 elas deverão reduzir suas emissões de gases-estufa a volumes 5,2% menores aos de 1990.

Christiana disse que, em um mundo em marcha para a consolidação da paz, os gastos em defesa deverão estar mais ligados à proteção do clima. Depois se perguntou “se é certo seguir a defesa tradicional, dedicando dinheiro para as armas, ou, ao contrário, para preservar o meio ambiente e combater a mudança climática”. Recordou que a indústria militar é líder em tecnologia de ponta e que, por isso, agora tem a oportunidade de ser líder em tecnologias para conseguir e desenvolver energias limpas.

“Há uma íntima relação entre segurança e mudança climática”, destacou Christiana, e por isso as políticas nacionais nos dois aspectos devem ser coordenadas. Para ela, deve-se investir em tecnologias com baixo nível de emissão de dióxido de carbono, um dos gases mais contaminantes, o que ajudaria a evitar conflitos, e destacou que “por mais que custe, a paz nunca é cara”.

Carme concordou com Christiana ao comentar o papel positivo das forças armadas espanholas nos dias seguintes ao terremoto que assolou o Haiti em janeiro de 2010, cumprindo seu papel de responder a situações de risco dentro e fora do país, de acordo com determinação do governo. “A Espanha voltará a colocar seus militares a serviço da comunidade internacional quando for necessário, porque nenhum país deve agir de forma isolada diante de um desafio dessa magnitude”, acrescentou.

Por sua vez, Ballesteros Martín disse que o Ministério da Defesa aposta na cogeração e nas energias renováveis, com o Plano de Economia e Eficiência Energética, com o compromisso de reduzir em cinco anos até 20% do consumo energético atual desse organismo. Envolverde/IPS