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A revolução azul de Ignacy Sachs

por Ricardo Young — publicado 26/07/2010 18h58, última modificação 29/07/2010 15h24
O desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente sustentável passa pela capacidade humana em inovar na busca de soluções e ser generosa na distribuição dos resultados

O desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente sustentável passa pela capacidade humana em inovar na busca de soluções e ser generosa na distribuição dos resultados

O economista Ignacy Sachs é um observador privilegiado do desenvolvimento humano desde a primeira metade do século 20. Seu olhar profundo, analítico e contextualizante sobre todas as crises e encruzilhadas dos últimos 80 anos lançam uma luz sobre a herança civilizatória da humanidade para o século 21. Sachs propõe uma economia baseada na ética, na ciência e na biodiversidade como fatores chaves para a superação da miséria e a distribuição global trabalho e riquezas. Suas experiências, em mais de 80 anos de vida, incluem passagens pela ONU, trabalho no planejamento centralizado na Polônia, sua terra natal, na época do socialismo, anos de estudos na Índia e muitos trabalhos realizados no Brasil e na América Latina.

Mesmo tendo vivido em momentos pouco edificantes da história humana, como a Segunda Guerra Mundial, e assistido muito próximo às experiências econômicas do século 20, que vão do comunismo centralizado da ex-União Soviética à ascensão do neoliberalismo dos anos 90, Sachs mantém a visão de que é possível estabelecer as bases para uma economia justa e com compromissos em relação às gerações futuras. Quando ele fala sobre alimentar os bilhões de excluídos e buscar meios de produção de energia e alimentos de forma inovadora e leal com toda a humanidade, percebe-se que a generosidade desse homem vislumbra um futuro muito além de sua própria existência. No entanto, um tempo que muito vai dever às ideias deste visionário.

A visão de mundo de Ignacy Sachs mostra um mundo onde a biodiversidade, as biomassas e a biotecnologia servem de suporte à vida, onde alimentos e energias brotam do solo e dos mares, onde a ganância dá lugar ao equilíbrio e governantes tem sonhos e metas em políticas públicas. A Revolução Azul de Sachs mostra um mundo capaz de cultivar a vida em oceanos que hoje servem apenas de lixeiras para os resíduos de nosso consumo insustentável e para despejo de nossos esgotos. Para ele, oceanos e áreas desmatadas do globo são suficientes para alimentar a toda a humanidade, basta querer e investir nesta direção, afinal, como ele diz: “a fome do mundo não é uma questão de falta de comida, mas sim falta de renda para bilhões de excluídos”.

Sachs representa o que a humanidade pode produzir de melhor. Suas ideias devem ser espalhadas entre empresários, governantes e cidadãos que tenham o compromisso de fazer do futuro um bom lugar para se viver.