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7º camponês é morto no Pará

por Redação Carta Capital — publicado 25/10/2011 14h03, última modificação 25/10/2011 17h57
Após denunciar extração ilegal de madeira em reserva, João Chupel Primos foi assassinado com um tiro na cabeça

O Pará registrou neste fim de semana a sétima morte de um líder camponês apenas em 2011. O maranhaense João Chupel Primo, de 55 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça no sábado 22, após denunciar a grilagem de terras e extração ilegal de madeira na Reserva do Riozinho do Anfrizio e na Floresta Nacional Trairão.

O crime ocorreu na oficina mecânica em que Primo trabalhava. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização ligada à Igreja Católica, a vítima  registrou diversos Boletins de Ocorrência em delegacias locais alertando sobre ameaças de morte.

O Ministério Público Federal no Pará solicitou à Polícia Federal na segunda-feira 24 a proteção de outros indivíduos que denunciaram recentemente a retirada ilegal de madeira na região.

O coordenador da comunidade católica de Miritituba, em Itaituba, teria reportado as irregularidades também ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) e à PF, que iniciaram uma operação na região.

A operação do Instituto recebeu suporte da PF, Guarda Nacional e Exército, porém, a CPT aponta que o desmatamento continuou. De acordo com a pastoral, testemunhas disseram presenciar todas as noites a retirada de 15 a 20 caminhões de madeira da região, que integra o mosaico da Terra do Meio e possui ligação com diversas rodovias federais.

Em nota, a CPT informa que as atividades foram suspensas por falta de segurança, após um soldado do Exército trocar tiros com pessoas em um trilha e ficar perdido na mata por cinco dias. Com o episódio, o Exército retirou-se e a Polícia Militar teria se negado a entrar na operação.

O bispo de Itaituba, Dom Frei Wilmar Santin, acusou o governo local, a PF, o Ibama e o Instituto Chico Mendes de serem responsáveis pelo crime. "Eles não deram continuidade à operação iniciada para coibir essa prática de morte, tanto da vida da Floresta como de pessoas. Desde 2005, mais de 20 pessoas foram assassinadas nessa região", declarou em nota.