Você está aqui: Página Inicial / Sustentabilidade / “O desmatamento da Amazônia não caiu 49% como divulgou o Inpe”

sustentabilidade

Amazônia

“O desmatamento da Amazônia não caiu 49% como divulgou o Inpe”

por Bruno Huberman — publicado 11/08/2010 11h35, última modificação 11/08/2010 14h56
Beto Veríssimo, diretor do Imazon, instituto que utiliza os mesmos satélites do Inpe, vê precipitação na divulgação dos dados pelo Ministério do Meio Ambiente

Beto Veríssimo, diretor do Imazon, instituto que utiliza os mesmos satélites do Inpe, vê precipitação na divulgação dos dados pelo Ministério do Meio Ambiente

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nesta segunda-feira 9 dados do Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), sistema utilizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para medir o desmatamento. Segundo o Ministério, o desmatamento diminuiu 49% na Amazônia entre agosto de 2009 e junho de 2010 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para Beto Veríssimo, diretor do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que utiliza os mesmos satélites do Inpe, porém, um sistema de análise diferente, a divulgação e a extrapolação desses dados foram precipitadas, principalmente em se tratando de ser um ano eleitoral e de que falta ainda um mês para terminar o período de análise. Ele diz que esse levantamento é ainda preliminar e os dados oficiais sairão apenas após a eleição.

Segundo dados preliminares do Imazon, o desmatamento no bioma amazônico teve um aumento de 8% em relação ao período anterior. Entre agosto de 2008 e julho de 2009, o instituto registrou o menor índice de desmatamento na história por conta de dois motivos: a crise econômica iniciada no segundo semestre de 2008, que gerou uma diminuição na demanda do mercado por soja e outros commodities, e por conta do período de muitas chuvas, que diminui a necessidade do desmatamento ilegal.

Beto acha difícil que os números deste anos registrem um desmatamento abaixo de 5000 km2. O Inpe divulgou um número de 1.808,55 km2, enquanto no penúltimo levantamento apontava 3.536,68 km². Os últimos dados do Imazon registraram 7.700 km2. “É como se dissesse que a economia irá crescer 20% neste ano”, compara Veríssimo.

O diretor do Imazon ressalta que o governo Lula realizou um bom trabalho na contenção do desmatamento da Amazônia. “O Brasil tinha um hiperdesmatamento antigamente. Entre os anos de 1995 e 2005 a média era 19.500 km2 por ano”. A partir de 2006, os números diminuíram devido ao bom trabalho do governo na fiscalização em relação aos governos anteriores. Contudo, ainda estão longe do ideal.