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“Neosocialismo” para evitar o “ecocídio”

por Brasil de Fato — publicado 13/12/2010 17h03, última modificação 13/12/2010 17h03
Evo Morales fecha fórum da Via Campesina cobrando maior responsabilidade dos governos e uma nova doutrina global pela vida. Por Vinicius Mansur, de Cancún

Evo Morales fecha fórum da Via Campesina cobrando maior responsabilidade dos governos e uma nova doutrina global pela vida

Por Vinicius Mansur, de Cancún (México)*

O discurso do presidente boliviano marcou o encerramento do Fórum Global pela Vida, Justiça Ambiental e Social, realizado paralelamente à COP 16, em Cancún, México, na noite de quinta-feira (9). Durante o ato, a Via Campesina entregou a Morales as resoluções tiradas do fórum, que reuniu quase 300 organizações de 76 países.

Ao lembrar que 300 mil pessoas estão morrendo anualmente por desastres naturais, Morales convocou os governos do mundo a “colocarem-se a altura de milhões de vítimas” para discutir os temas de fundo que provocam o aquecimento global: “O tema é estrutural, é o capitalismo, estamos debatendo só os efeitos, não as causas.”

O presidente enfatizou que o capitalismo traz crise atrás de crise, como a financeira, a energética e a ambiental, e que é hora de mudar o modelo e também a consigna “Pátria ou morte”. “Temos que dizer planeta ou morte porque ou morre o capitalismo ou morre a Mãe Terra. Senão teremos um ecocídio ou um genocídio. Frente ao capitalismo, ao colonialismo, ao imperialismo, queremos propor o Neosocialismo. Uma nova doutrina pela vida, para viver bem, não viver melhor. Para compartilhar, não para competir.”

Para Morales, a nova tese socialista não deve contemplar só a luta de classes: “Antes a luta terminava na luta de classes, que é importante. Agora temos a responsabilidade não só de salvar o operário, o originário submetido à escravidão, senão todo o planeta”.

Entre as iniciativas imediatas a serem tomadas para combater a crise ambiental, Morales propôs a criação de um Tribunal Internacional de Justiça Climática, um Banco do Sul - financiado por parte das reservas internacionais desses países - para enfrentar os desastres causados pelas mudanças climáticas e a aprovação dos Direitos da Mãe Terra pela ONU.  “O último direito que aprovamos foram os Direitos dos Povos Indígenas, três ou quatro anos atrás, depois de mais de 25 anos de debate. Faz 60 anos, a ONU aprovou os Direitos Humanos. Agora nossa batalha será, cedo ou tarde e tomara que o mais cedo possível, aprovar na ONU os Direitos da Mãe Terra”, afirmou.

O presidente boliviano advertiu os governos a tomarem medidas urgentes “porque o que não fazem os governos, o farão os povos, as forças sociais do mundo, que são capazes de fazer cair impérios”. Morales também propôs a realização de uma conferência entre os presidentes da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e organizações sociais do mundo para dar seguimento à luta contra a crise ambiental. Ele pediu, ainda, a construção de uma consulta global sobre o tema e maior unidade de organizações e ativistas.

*Matéria publicada originalmente no jornal Brasil de Fato