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Viciados em cinto de segurança

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 09/04/2010 17h43, última modificação 20/09/2010 17h44
Afivelar o equipamento é uma missão para extraterrestres

Afivelar o equipamento é uma missão para extraterrestres

Imagina-se que os fenômenos de desobediência civil e da falta de fiscalização acontecem correntemente nas cidades, em especial naquelas fora do eixo Rio–São Paulo. Em Salvador, por exemplo, é notório o descaso de motoristas profissionais e particulares com o uso do cinto de segurança.

Com alguma exceção para as cooperativas, os taxistas não estão nem aí para a chamada obrigatoriedade do cinto. Muito menos para o perigo que a atitude de ignorar aquela trapizonga presa aos bancos representa. Se questionados, respondem na medida da realidade deles: “Aqui ninguém liga pra isso, não. De vez em quando a polícia dá umas incertas, mas depois esquece e a gente vai levando”, finalizam com um sorriso baiano.

Anos depois do início da campanha nacional pelo uso do cinto de segurança, constata-se que as peças educativas e a fiscalização não cumpriram seu papel, pois não criaram consciência nem em motoristas nem em passageiros. Sem essa consciência de sua necessidade, as regras e as leis passam a ser repressão. O pior é que, na maioria dos casos, não há sequer a consciência da transgressão.

Um sorriso ingênuo antecede, por exemplo, uma confissão, sem culpa, de outro taxista com mais de 60 anos de idade e 20 de praça: “Pra ser sincero, nunca usei, não senhora”. O mesmo que sempre fez o protestatário Millôr Fernandes.

Mesmo um amigo da boa terra, causador e única vítima de um choque frontal com um ônibus, em razão de uma perda momentânea de sentidos, e que temporariamente se locomove em cadeira de rodas, não se importa se os taxistas que o conduzem às suas rigorosas e necessárias sessões de fisioterapia estão sem o cinto de segurança.

Apesar de ter passado por três cirurgias, ele próprio ainda se esquece de afivelar o seu cinto no banco do carona, embora prometa emendar-se. O amigo em franca recuperação reconhece que nunca ligou para o cinto e que as consequências do acidente se deveram a ele estar dirigindo soltinho, soltinho.

De tanto ser chamado à razão, o amigo parece que vai tomar jeito. Ele telefonou cobrando este anunciado comentário e avisou que já está voltando a dar os primeiros passos. Sabe-se que viajar no banco de trás sem o cinto de segurança é igualmente perigoso. Esse, ninguém usa. Quer se sentir um E.T.? Entre num táxi em pleno Rio de Janeiro e afivele-se. Vão achar que você é um mané.

Apolo 13
Sempre na programação, o filme estrelado por Tom Hanks vale ser revisto

Há filmes que fazem parte da programação permanente dos canais brasileiros, abertos ou pagos. Apolo 13 é um desses exibidos à exaustão, quase uma vez por semana, em horários diferentes, claro. Por contar a história real do resgate da tripulação da nave Aquarius, que teve seu pouso
na Lua abortado em abril de 1970, o filme vale ser (re)visto.

Apolo 13 é quase um documentário. E como tal mostra os costumes do planeta há memoráveis 40 anos. Por exemplo, fumava-se desbragadamente em pleno centro de comando de voo da Nasa. Pelo que se vê no filme, os computadores, hoje tratados a pão de ló, nem se importavam com o fumacê, muito menos os não fumantes.

Os gênios da engenharia espacial que devolveram os astronautas sãos e salvos à Terra, num quase milagre, nem sequer se apoquentavam em abarrotar cinzeiros de bitucas de cigarros, tragados com a ansiedade que aqueles dias de desespero pediam.

Em comparação a hoje, a tolerância com o cigarro era tamanha que vai ver os astronautas das primeiras missões eram autorizados até a fazer uma boquinha de pito naqueles longos dias em órbita...