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Valcke, mais um citado no escândalo da Fifa

por Redação — publicado 02/06/2015 10h42
Secretário-geral da entidade, que propôs "chute no traseiro" do Brasil, teria ajudado a movimentar US$ 10 milhões; ele não está entre os acusados
Tânia Rêgo / Agência Brasil
Jérôme Valcke

Jérôme Valcke em janeiro, no Rio. Ele foi o "fiscal" da Fifa nas obras da Copa do Mundo

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, conhecido por seu papel ativo na fiscalização das obras para a Copa do Mundo de 2014, também foi citado no escândalo de corrupção na Fifa investigado por autoridades norte-americanas. O surgimento de Valcke, que não está na lista de acusados, aproxima ainda mais o escândalo do todo-poderoso da Fifa, o suíço Joseph Blatter, reeleito na semana passada. O francês é, há anos, o principal auxiliar de Blatter e número 2 da Fifa.

O nome de Valcke aparece em reportagem do The New York Times nesta terça-feira 2. O jornal cita fontes ligadas à investigação para confirmar que Valcke é o "alto funcionário da Fifa" que mediou uma transferência de 10 milhões de dólares para Jack Warner, um dos protagonistas do esquema, para pagamento de propina.

O dinheiro teria sido transferido por Valcke em 2008 para contas controladas por Warner, então presidente da Confederação de Futebol das Américas do Norte, Central e do Caribe (Concacaf) e acusado de ter aceitado propina para ajudar a África do Sul a ser escolhida sede da Copa do Mundo de 2010. O valor, segundo os investigadores, era para o pagamento do voto de Warner e outros dirigentes a favor da África do Sul na eleição interna da Fifa que escolheu a África do Sul como sede em 2004.

O documento da promotoria de Nova York não diz se o "alto funcionário da Fifa" sabia que o dinheiro seria usado para pagamento de propina. Valcke, além disso, não é identificado no texto como "co-conspirador", termo usado para se referir aos cartolas envolvidos no esquema de corrupção. Como secretário-geral da Fifa, entretanto, Valcke é o responsável pelas contas da entidade e tem a autoridade para realizar transações financeiras. Em um e-mail em resposta ao New York Times, Valcke disse que não autorizou o pagamento e nem tinha o poder para fazê-lo.

O presidente da Federação de Futebol da África do Sul, Danny Jordaan, alega que o dinheiro não foi propina, mas um pagamento legítimo para um projeto social no Caribe. Jordaan afirma ainda que não há lógica na acusação, uma vez que a transferência foi feita depois de quatro anos da escolha da África do Sul. Segundo os investigadores, afirma o NYT, o dinheiro teria sido transferido pela Fifa porque a África do Sul não tinha condições de pagar logo após as eleições. O valor, afirma o jornal, seria então deduzido do aporte inicial que a Fifa faria ao país africano para dar início aos preparativos para a Copa do Mundo e, depois, descontado pela entidade.

Segundo Delia Fischer, porta-voz da Fifa, o presidente do comitê de Finanças da entidade na época, Julio Grondona, autorizou o pagamento. O cartola argentino, que foi por anos presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), morreu no ano passado. Ele também estava envolvido em um escândalo de corrupção envolvendo os direitos de transmissão da Copa América, um dos quais envolve também Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF.

Valcke ficou conhecido no Brasil por ser o responsável por monitorar os preparativos para o Mundial de 2014. Nas várias discussões públicas que teve com autoridades brasileiras, Valcke chegou a afirmar que o País precisava de um "chute no traseiro" para agilizar as obras da Copa do Mundo. Mais tarde, Valcke pediu desculpas pela frase e disse ter sido mal-interpretado.