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União das Repúblicas Populares da América Latina

por Lucas Conejero — publicado 05/04/2011 17h45, última modificação 30/10/2011 22h52
Sai em DVD o documentário "Ao sul da fronteira", de Oliver Stone, que conta a história da ascenção de presidentes de esquerda na América Latina, como Chávez e Lula

Sai em DVD o documentário "Ao sul da fronteira", de Oliver Stone, que conta a história da ascenção de presidentes de esquerda na América Latina, como Chávez e Lula

O documentário “Ao sul da fronteira” chegou às locadoras brasileiras. Dirigido e produzido pelo nova-iorquino Oliver Stone, conta parte da história das movimentações sociais que tiveram como consequência a ascensão de presidentes de esquerda na América Latina durante a primeira década do século XXI.

Hugo Chávez, Evo Morales, Fernando Lugo, Rafael Correa, Lula e o casal Kirchner protagonizam as cenas. Todos impressionam pelo carisma, inclusive a peronista Cristina.

Vale destacar a entrevista com Evo Morales Ayma, líder indígena do MAS (Movimento ao Socialismo). Descendente de TúpacKatari, ascendeu politicamente durante a resistência às medidas neoliberais do FMI e do Banco Mundial do final do século XX, que incluíam a privatização até mesmo da água da chuva na Bolívia.

A revolução não foi televisionada

Segundo Stone, o levante que trouxe Hugo Chávez de volta à presidência após o golpe de 2002 foi estopim para a mudança de rumo na geopolítica do continente.

Se ele está certo, é uma boa pergunta. Fato é que militares venezuelanos reacionários conspiraram, receberam apoio da imprensa burguesa, da classe média, estavam amparados por Washington, deram o golpe e avisaram o mundo: tomamos o poder! E haviam tomado mesmo.

A Casa Branca vibrou, as vivandeiras de quartel soltaram rojões nos quatro cantos do continente. Mas quando a notícia da queda de Chávez se espalhou pela Venezuela, o improvável aconteceu.

Trabalhadores venezuelanos dos bairros mais pobres, ao lado de parte do movimento estudantil, marcharam para o Palácio de Miraflores, onde o governo golpista efetuava a transição.

O palácio foi cercado por dezenas de milhares de manifestantes que pediam o retorno imediato do presidente eleito eameaçavam invadir o prédio. Parte das forças armadas refugou e setores leais ao presidente tramaram, com sucesso, um contra-golpe.

Chávez, que estava preso e incomunicável em uma base militar, voltou ao Miraflores nos braços do povo pouco mais de 24 horas depois de deposto.

Os grandes veículos de comunicação venezuelanos não só apoiaram abertamente um golpe de estado em um presidente eleito, como demoraram24 horas para noticiar o contra-golpe. Cinicamente, fingiam em suas reportagens que nada acontecia. Só contaram ao povo a verdade, quando ficou impossível escondê-la.

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