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Uma semana de Mostra Internacional de Cinema

por Celso Marcondes — publicado 23/10/2008 18h11, última modificação 24/08/2010 18h13
A Mostra de São Paulo completou sua primeira semana, mais da metade dos seus quase quinhentos filmes já foi exibida. O sucesso, a relevância e a freqüência continuam crescendo. Já são 32 anos marcando a vida cultural do País.

A Mostra de São Paulo completou sua primeira semana, mais da metade dos seus quase quinhentos filmes já foi exibida. O sucesso, a relevância e a freqüência continuam crescendo. Já são 32 anos marcando a vida cultural do País.

A juventude continua tendo seus espaços cativos, através do “Festival da Juventude”, das exibições gratuitas no vão livre do MASP, da parceria com a FAAP e das mesas de debate no Unibanco.

Mas é freqüentando assiduamente as sessões normais da Mostra que se percebe que a participação do público jovem é mais que significativa. Nestes sete dias de cinema diário, muitas vezes me vi como uma ilha careca cercada de jovens por todos os lados. O que me remete a pensar que os espaços facilitadores para a presença deste público novo e ávido por cinema de qualidade ainda possa e deva ser aumentado.

Mais parcerias com outras faculdades, uma “permanente jovem” com preço diferenciado, uma seleção de clássicos das décadas de 60, 70 e 80 - quando eles ainda não haviam nascido -, sessões em auditórios de outras faculdades, uma “repescagem” específica para estudantes, coisas assim, talvez, quem sabe.

A verdade é que nestes tempos em que a Datafolha diz que apenas 4% (isso mesmo, quatro por cento) da população paulistana costumam ir ao cinema, a Mostra é o grande evento formador de público futuro. Muito já foi feito pelos mestres Leon Cakoff e Renata de Almeida neste sentido e sempre dará para fazer mais. O importante é sempre buscar o aprofundamento deste foco.

Dicas
Também não dá para terminar sem deixar algumas dicas. Parte só poderá ser testada na repescagem, parte só nas futuras exibições no circuito comercial, parte ainda têm sessões marcadas nos próximos dias. Vamos lá:

Um nacional imperdível (meio italiano, é verdade): Terra Vermelha, um retrato mais que fiel e nada panfletário da tragédia que ocorre em nossas terras de Marlboro (ou de Blairo Maggi).

Dois americanos da era Bush/McCain que nos fazem torcer mais por Obama: Procedimento Operacional Padrão e Queime Depois de Ler. Um sobre a tragédia da invasão americana no Iraque. Outro um deboche sem tamanho dos irmãos Cohen sobre o mundo da espionagem no País de Wall Street, Demolished.

Dois italianos que revelam a parte podre da terra de Mino Carta: Gamorra e Il Divo. O primeiro, já teve quem disse que é a Cidade de Deus napolitana. Acho que é O Poderoso Chefão da era Berlusconi. Nua e crua revelação da Camorra, colocando na tela um dos livros de maior sucesso na Europa no momento. O segundo, um documentário demolidor sobre o eterno mandatário Giulio Andreotti, que ainda está solto nas ruas.

Mais um sensacional dos “hermanos”: Leonera, de Pablo Trapero. Retrato sem estereótipos, nem lugares comuns, de um presídio feminino e a luta de uma mulher leoa. Imperdível.

Uma revelação nacional mais que bem-vinda: a estréia de Selton Mello na direção, com Feliz Natal. Nelson Rodrigues (bem) revisitado.

Uma descoberta premiada das ruas de Cali: Perro come Perro, soco no estômago, Tarantino by Colômbia.

Quer saber mais? Entre no www.mostra.org.br, consulte os jornais, visite os estandes da Mostra nos cinemas e a central no Conjunto Nacional.