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Uma lufada de esperança

por Redação Carta Capital — publicado 24/01/2013 12h05, última modificação 24/01/2013 12h07
O futebol “previsível e burocrático” vira alvo de críticas e os clubes finalmente começam a se reestruturar

Por Afonsinho

Começou a temporada brasileira. Enquanto isso, ainda podemos pensar num panorama mais amplo, sem prender tanto a atenção aos detalhes dos jogos, craques, cartolas e juízes com suas trapalhadas. No curto prazo, a Copa das Confederações vai servir para o técnico montar um time. Para disputar a Copa do Mundo, o tempo é pouco, mas o problema se resume à expressão popular “quem pariu Mateus que o embale”. Necessário trabalhar a ideia de fazer valer o fato de jogar em casa como trunfo.

Os objetivos de médio prazo são o Mundial de 2014 e a Olimpíada de 2016, os maiores, o futuro do Brasil, seus esportes, nosso futebol e nossa sociedade. O poeta falou e não queremos “um imenso Portugal”, tampouco uma sociedade americanizada. Nesse ponto vamos mal. As notícias dão conta de um terço de obesos na população, incluindo as crianças que nos vão apontando o caminho a ser corrigido. No fundo, o desperdício, comprovando o caminho equivocado.

Como sempre tudo começa pela educação, que não é só escola, mas comunicação e tantas outras coisas. Para ter saúde, é necessário educação. Esse nó precisa ser desatado.

O futebol vai pelo bom caminho e nos dá esperança. Uma onda que vai crescendo e se ampliando. Vemos repetidas crônicas de diferentes origens, ecoando as críticas a este momento “previsível e burocrático”, não só do esporte, mas também das artes, expressando o equívoco desse tipo de pensamento. Artistas e outros “formadores de opinião”, com camisetas e mais recursos de divulgação a estampar o lema “Futebol Arte”.

Uma campanha interessante.

Até a mídia inconsequente adota esse discurso visto por ocasião das premiações aos melhores do ano que passou. Vamos em frente. Curiosamente, as seleções de jovens do Brasil e da Argentina se atrapalharam e começaram com maus resultados nesta Copa disputada no país vizinho, atreladas ainda a essa mesma ideia de futebol “previsível e burocrático”. Os nomes nas “comissões técnicas” são, em sua maioria, estranhos ao mundo do futebol.

O ano começa diferente nos clubes, a principiar pelo Flamengo. A uma semana do início do Campeonato Carioca havia contratado um time de executivos e nenhum craque, o que em relação aos jogadores não significa grande coisa. Aproveita o estadual, em processo de esvaziamento, como prolongamento da pré-temporada para arrumar a casa, depois o time. Entra de sola na preparação do rubro-negro para as exigências do “mercadão”. Não há outro jeito para se modernizar e ingressar no circuito internacionalizado.

Um campeonato planetário de clubes vem a caminho. Ao mercado interessa os que possuem maior número de consumidores. Entre nós Flamengo e Corinthians, mas há outros se estruturando de olho na arca do tesouro. Terão de mostrar bom futebol, inteligência e criatividade para compensar o menor número de adeptos. Palmeiras atrelado a um banco.

Notícias dão conta de patrocínio de 20 dos 27 campeonatos estaduais por uma única empresa. Demonstração de desvalorização. Os “pequenos” são comparáveis aos mangues, menos espalhafatosos, mas essenciais à existência da “cadeia”. O perigo é encaretar de vez, mas a torcida do “mais querido” vai reagir.

O Flamengo é dos poucos que mantêm, no campo, pessoas do próprio campo. Embora pareça estranha a assertiva, ela tem explicação. Paga-se melhor aos treinadores. Pessoas de outras áreas pulam para o cargo, assim que conseguem alguma experiência no meio que adotaram.

Tempo de carnaval, blocos mostram o caminho da regeneração; a reapropriação das ruas pelo povo. Pelo mundo seguem prevalecendo os favoritos. Novidade a declaração de Piqué a respeito de Mourinho, que deixou em xeque o poderoso Real Madrid. “Quando Mourinho estava por cima, fez tudo que quis, até ameaçar, e não sofreu nenhuma punição.” Montado num estilo decadente e anacrônico, o treinador português cria problemas para ser dispensado, e o Real se submete para evitar a multa que deve ser estratosférica. Humilhação.

Preocupam as contusões do Thiago Silva, hoje fundamental na Seleção Brasileira. Caso o São Paulo arme o time que se esboça, vai me obrigar a fazer várias viagens à capital paulista. Pato, Ganso e outros bichos.

Feliz temporada ao futebol brasileiro em 2013.

P.S.: A recuperação de Nelson Mandela enche de alegria a alvorada do ano que inicia.

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