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Sociedade

Cultura e juventude

Um novo Mundo é possível

por Redação Carta Capital — publicado 17/11/2011 16h08, última modificação 17/11/2011 16h08
No Brasil uma série de ações fomentadas pelo terceiro setor vem ganhando força no combate a violência e as desigualdades sociais junto aos jovens de periferia
Juventude

'A capacidade de improvisar diante das circunstâncias econômicas, politicas e sociais do mundo atual tem sido uma forma de envolver novas lideranças juvenis'. Foto: Agência Brasil

Por Helder Quiroga*

 

O mundo vem passando por diversas transformações que englobam desde o avanço das novas tecnologias às formas de apreensão de conhecimentos através das redes sociais e movimentos político culturais. Novas concepções territoriais estão sendo criadas a partir da aproximação entre culturas proporcionadas pelos avanços no campo da comunicação através da internet, do aprimoramento das telefonias móveis e principalmente da necessidade de diálogo entre os povos.

Neste âmbito de mudanças de comportamentos e do surgimento de novas concepções de atuação política, a juventude se apresenta como elemento fundamental para os processos de transformação social num mundo globalizado e multicultural. Não somente no que tange as iniciativas de mobilização social, mas também pela urgência de ações ideológicas que compreendam o conceito de uma cidadania global.

Quando citamos o termo cidadania global, estamos nos referindo à revisão de valores e princípios que busquem de algum modo dar relevância a elementos fundamentais para a convivência dos povos, tais como: a importância dos Direitos Humanos como forma de valorização da autonomia, da diversidade e do respeito ao indivíduo dentro da coletividade e da importante consciência de coletividade no individuo; nos referimos também, a valorização do meio ambiente como elemento de desenvolvimento econômico, social e cultural, nas relações entre o homem e a natureza, do resgate e preservação das culturas tradicionais e da sustentabilidade  como principio educacional.

Dentro deste contexto fica cada vez mais clara a importância dos trabalhos realizados por ONG’s e coletivos culturais que tem a juventude como principal segmento de atuação. Segundo dados da ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, existem hoje no Brasil cerca de 338 mil organizações sem fins lucrativos divididas em cinco categorias: 1. que são privadas, não integram o aparelho do Estado; 2. que não distribuem eventuais excedentes; 3. que são voluntárias; 4. que possuem capacidade de autogestão; e, 5. que são institucionalizadas.

No Brasil uma série de ações fomentadas pelo terceiro setor vem ganhando força no combate a violência e as desigualdades sociais junto aos jovens de periferia, e também de classe média. Exemplos como as ações educativas coordenadas pela Eletrocooperativa (Bahia), Movimento Fora do Eixo (Cuiabá), Duelo de MC`s (Belo Horizonte) e Afrorregae (Rio de Janeiro), são algumas das inúmeras iniciativas que vem dia a dia lutando para conquistar a emancipação de jovens que buscam na Cultura sua forma de restituição da cidadania.

Trabalhar na fronteira da miséria e das desigualdades sociais é uma características das ONG's, que embora hajam situações que destoam da importância deste segmento de ação politica e social, o terceiro setor ainda é uma das vias mais saudáveis para o trabalho voltado a transformação social da juventude brasileira.

A valorização da diversidade cultural, o combate as desigualdades, a proteção do meio ambiente, e a defesa dos Direitos Humanos tem sido eixo de diversas ações focadas na aproximação dos povos e na construção de diálogo entre culturas e dos trabalhos desenvolvidos pelo Terceiro Setor.

Deste modo, a capacidade de improvisar diante das circunstâncias econômicas, politicas e sociais do mundo atual, atuar junto às organizações não governamentais tem sido uma forma de envolver novas lideranças juvenis e produtores culturais, catalisando sua capacidade de atuar num contexto global estimulando e fortalecendo as potencialidades criativas em cada região utilizando o terceiro setor como ambiente de trabalho e mobilização social. Acreditamos que um novo mundo é possível, mas mais possíveis são nossas atitudes para transformá-lo com sensibilidade, diálogo e coerência.

 

*Helder Quiroga é coordenador da ONG Contato, Belo Horizonte – Brasil

 

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