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Um ídolo romântico

por Rodrigo Martins publicado 08/12/2011 11h20, última modificação 09/12/2011 11h40
Brilhante e politizado, Sócrates viveu intensamente
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Um típico craque corintiano, decisivo em momentos cruciais do time. Foto: Daniel Augusto/AE

Em 1984, o técnico da Fiorentina teve problemas para domar um atleta. Alto, magro, barbudo e de cabelos desgrenhados, o jogador sempre punha em dúvida as rígidas normas disciplinares do clube italiano, da proibição de fumar no ônibus à necessidade de ficar concentrado para uma partida. “Lembro de Sócrates assim”, comentou Giancarlo De Sisti, hoje com 68 anos, ao saber da morte do ex-craque  brasileiro, ídolo do Corinthians e da Seleção Canarinho nos anos 1980. “No início de sua aventura na Fiorentina, ele não estava muito bem e os jornais o criticavam.

Perguntei se sabia dessas críticas, ele me disse que lia os jornais, mas olhava a parte política, e eu disse que, pelo contrário, eu lia só a parte esportiva. Decidimos comprar um jornal só e dividi-lo.”

 

Sócrates nunca foi um atleta convencional. Médico de formação, era politizado, contestador e cultivava um estilo de vida considerado impróprio para um esportista de seu calibre. Não era um homem deste século nem do anterior, como observou o jornalista e comentarista esportivo Juca Kfouri. “Eu o imaginava mais como um romântico do século XIX, de sobretudo

preto, o cigarro acesso enquanto lia um poema. Um desses frequentadores de adegas da época, a discutir política com um copo de vinho na mão”, divaga o amigo de longa data, ressentido com o fato de Sócrates não ter o corpo blindado para a vida boêmia. “Nunca conheci alguém que viveu tão intensamente a filosofia do carpe diem, guiando-se pelos prazeres e paixões do momento.”

 

O problema é que o Dr. Sócrates partiu cedo demais, aos 57 anos. Não pôde ver o Corinthians, time que aprendeu a amar, ser pentacampeão brasileiro. O capitão da Seleção de 1982 faleceu na madrugada do domingo 4, vítima de um choque séptico – quando bactérias de uma infecção caem na corrente sanguínea e se alastram pelo corpo. As suspeitas recaem sobre

uma possível intoxicação alimentar, ainda não confirmada pela equipe médica, mas que poderia ser facilmente tratada não fosse o estado de saúde debilitado de Magrão, como também era conhecido. Esta era a sua terceira internação em quatro meses. Nas duas anteriores, foi hospitalizado, em estado grave, para conter uma hemorragia digestiva, causada por uma complicação da cirrose.

 

 

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