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Transplante que teria curado paciente do HIV é arriscado, dizem especialistas

por Agência Aids — publicado 15/12/2010 15h44, última modificação 15/12/2010 17h48
O caso alemão é muito específico devido às características genéticas tanto do doente quanto do doador, que facilitam o combate ao vírus da aids. O fato deve ser levado em conta para a pesquisa de outras técnicas

Por Fábio Serrato*

“O transplante de medula é muito arriscado. A cada cinco pessoas que se submetem ao procedimento, uma morre”, disse o infectologista e pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) Ésper Kallas. Segundo ele, o caso alemão é muito específico devido às características genéticas tanto do doente quanto do doador, que facilitam o combate ao vírus da aids. “O fato deve ser levado em conta para a pesquisa de outras técnicas”, completou.

Mesmo para pessoas que vivem com HIV e leucemia o procedimento seria inviável, de acordo com o diretor do laboratório de retrovirologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Ricardo Diaz. “O gene que apresenta resistência ao HIV é encontrado em apenas 1% dos brancos, principalmente no norte da Europa”, explicou. “Como essa característica é ausente em índios da América e negros, o transplante de medula fica ainda mais inviável no Brasil.”

Entenda o caso

Timothy Brown foi diagnosticado soropositivo e tomava antirretrovirais para evitar o desenvolvimento da aids. Quando teve que fazer o transplante de medula para tratar a leucemia, em 2007, precisou parar de tomar os remédios. Diferente do que os médicos esperavam, Timothy não desenvolveu aids. Após a cirurgia, teste deixaram de detectar HIV no paciente.

*Originalmente publicada na Agência Aids

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