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"Tem que se fazer justiça com o Corinthians, mas que isso valha para todos", diz Lula

por Redação Carta Capital — publicado 26/02/2013 22h05, última modificação 06/06/2015 18h24
Ex-presidente nega ter sido procurado para ajudar o clube paulista. "É uma questão do Corinthians"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta terça-feira 26 ser favorável à punição imposta ao Corinthians, o seu time, pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), após a morte do garoto Kevin Espada, na quarta-feira 20, em partida diante do San José, em Oruro, na Bolívia. O Corinthians deve ficar ao menos 60 dias jogando com portões fechados na Copa Libertadores depois que Espada, de 14 anos, foi atingido por um sinalizador naval lançado por um torcedor corintiano. Lula fez as declarações no lançamento do , do diretor de redação de CartaCapital, Mino Carta, em São Paulo.

"Tem que se fazer justiça com o Corinthians, tem que cumprir a pena a que ele foi submetido, mas que isso deva valer para todos os times daqui pra frente", disse Lula. O ex-presidente afirmou que a Conmebol e as instituições responsáveis pela segurança pública devem agir com mais rigor e trabalhar para tirar "ensinamentos" da tragédia. "É preciso que as autoridades assumam responsabilidade de não permitir que ninguém entre num estádio coma armas que não se pode entrar", disse.

Para o ex-presidente, o futebol deve ser uma "casa de espetáculo e não uma casa de violência". "É importante a gente voltar para o tempo em que a gente podia sair do estádio com a mulher e os filhos, com a camisa do seu time (...) todo mundo era cidadão e ia no estádio", disse. "Essa tragédia é quem sabe para a gente tirar lições, o povo brasileiro e a torcida do mundo inteiro se auto-educar e a gente fazer da ida do estádio um motivo de festa e não de violência".

Problema é do Corinthians

Lula, cujas relações com a diretoria do Corinthians são bastante próximas, disse que almoçou com Andres Sanhcez, ex-presidente do clube paulista, mas negou que tenha sido procurado para ajudar o Corinthians ou os 12 torcedores presos na Bolívia após o jogo. O grupo, que coloca a culpa pelo homicídio em um menor de idade que se entregou nesta semana, em São Paulo, chegou a pedir ajuda ao ex-presidente. "É uma questão, não é minha, é uma questão do Corinthians", afirmou.

Segundo Lula, cabe ao Ministério das Relações Exteriores cuidar da situação e garantir que "os brasileiros sejam tratados com respeito". "Nós temos que ter consciência que uma criança foi vítima da insanidade de um torcedor, que possivelmente não tenha feito por querer, que possivelmente naquele momento de estupidez, que todo ser humano um dia tem, ele teve e houve um menino de 14 anos vítima da violência", afirmou.