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Crônica

Táxi!

por Alberto Villas publicado 20/03/2014 17h54
Chamar um táxi usando o aplicativo ficou muito mais fácil. Para os outros.
Flickr/Blu-news.org

Já fui muito pior. Do controle remoto, só sabia usar o play e o stop. Hoje já gravo um programa e, no dia seguinte, já sei como fazer para assisti-lo. Quando eu ponho a memória pra funcionar, lembro que já teve o dia em que eu não sabia mandar nem responder uma mensagem pelo celular, não sabia escanear, nem tampouco sabia como funcionava o tal do control c e do control v. Era um fracasso e acho que ainda sou um pouco.

Pode parecer brincadeira, mas lá no início dos anos 1980, eu não conseguia abrir a embalagem plástica dos primeiros CDs, não conseguia trocar o cartucho de tinta da impressora, nem mesmo ouvir os recados deixados pelos amigos na secretária eletrônica. Aos poucos, fui melhorando.

Nesse mundo maravilhoso em que vivemos, fui aprendendo, principalmente com as minhas filhas, desde pequenininhas, a manipular essas engenhocas todas que inventam a cada dia. Não me esqueço nunca o dia em que minha neta, quando tinha dois anos e me viu atrapalhado com o controle do aparelho de DVD na mão. Virou pra mim e disse:

- É só apertar o play, vovô!

E assim fui aprendendo a viver com essa tecnologia, mas confesso que às vezes me atrapalho na hora de enfiar o cartão de crédito do lado certo na maquininha ou pagar contas no caixa eletrônico. Nunca gostei de código de barra, confesso.

Depois que entrei no Facebook, no Twitter, no WhatsApp, no Instagram, depois que abri um blog, acho que as coisas melhoraram um pouco. Hoje já não tenho medo de apertar um botão errado e apagar as luzes do bairro. Sim, eu achava que era assim. Passei da máquina de escrever pro computador quando trabalhava em televisão e o meu temor era apertar um botão errado e tirar a emissora do ar.

Claro que ainda não me considero o bambambã da tecnologia mas acho que o fato de fazer fotos, usar o despertador e a calculadora do smartphone e fazer compras pela Internet já é um avanço. O fato de ver a temperatura em São Paulo, em Belo Horizonte, em Helsinque e em Moscou na telinha também é um progresso. Instalar um jogo ainda não sei, mas quando as minhas filhas chegam com ele já funcionando e me explicam que o passarinho não pode bater nas barras, eu entendo. Chego a fazer nove pontos!

Não é fácil viver hoje na boa, quem nasceu num tempo em que não tinha micro-ondas, máquina digital, computador, fralda descartável, achocolatado solúvel, leite em caixinha, frigideira de t-flon, geladeira frost-free, freio ABS, cartão de crédito, e-book, iPad, Iphone e iPod.

A última novidade que entrei de cabeça foi o tal do aplicativo pra chamar táxi. De repente, aquele negócio de ligar pro Chame-Taxi, pro Bat-Taxi ou pro Ligue-Taxi virou coisa do passado. Aquilo de ouvir “em dez minutos eu dou um retorno pro senhor” já era.

Minhas filhas me cadastraram num desses aplicativos de táxi e eu fiquei todo metido. Na primeira vez que usei, com elas do lado, deu tudo certo. Em quatro minutos o interfone tocou, era o zelador dizendo que o táxi já estava na porta me esperando. Que maravilha!

Mas, na sexta-feira passada, sozinho em casa e precisando sair, o bicho pegou. Primeiro, quando apertei o botãozinho do aplicativo, fui informado que meu cadastro estava obsoleto e que precisava me recadastrar. Liguei pra minha filha, ela me passou o mapa da mina e eu me recadastrei.

Chamei o táxi que viria em 3 minutos. Viria. Quando deu um minuto, desci as escadas e já no primeiro andar, piscou um recado dizendo que o pedido havia sido cancelado. Dei ré, voltei pra perto do meu wi-fi e chamei novamente o táxi. Primeiro veio um aviso que o endereço não havia sido encontrado. Fiquei feito um doido com aquela setinha procurando nessa pequena São Paulo onde estava o diabo da rua Faustolo. Que luta!

Quando achei, veio o aviso de que o táxi estava vindo. Tudo bem se eu não visse que, lá em cima na telinha, estava escrito Rua Sipião 145. Continuei apertando os botões e de vez em quando vinha um “confirma” e eu confirmava. Quando estava ainda tentando ver se tinha pedido o táxi certo para o lugar certo, o interfone tocou. Era o zelador.

- Foi o senhor que chamou três táxis?