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Prefeitura quer ampliar índices de coleta seletiva em SP

por Ricardo Rossetto — publicado 21/05/2013 10h47, última modificação 21/05/2013 12h36
Atualmente, apenas 2% do lixo recolhido na cidade passa por triagem adequada. O objetivo é alcançar 10%
Ricardo Rossetto
Haddad durante anúncio da coleta seletiva de lixo

O prefeito Fernando Haddad durante anúncio da coleta seletiva de lixo

A Prefeitura de São Paulo anunciou na segunda-feira 20 que irá implantar quatro novas centrais mecanizadas de triagem de materiais recicláveis ao custo de 20 milhões de reais cada. O objetivo é ampliar os índices de coleta seletiva dos atuais 2% para 10%. A medida contempla uma promessa do prefeito Fernando Haddad (PT) feita durante a campanha, e incluída no Programa de Metas recentemetnte apresentada.

Atualmente, a cidade dispõe de 20 cooperativas espalhadas em 75 dos seus 96 distritos. De um total de 13 mil toneladas de lixo domiciliar produzidas diariamente, essas centrais recolhem, juntas, apenas 250 toneladas/dia. Das novas centrais, duas delas – uma no bairro de Ponte Pequena, no Centro, e a outra em Santo Amaro, na zona sul - devem ficar prontas até junho de 2014, aumentando a capacidade de reciclagem para 749 toneladas por dia. As outras duas serão definidas a partir de julho do ano que vem. A estimativa é que cada central gere 1,6 milhão de reais em receita social a partir da comercialização do material reciclável.

Para Haddad, a cidade mais rica do País não podia mais conviver com tanto lixo sendo destinado de maneira incorreta. Só na capital paulista são cerca de 20 mil pessoas que obtém o seu sustento trabalhando com esses resíduos, e a maioria não é regulamentada. Por isso, disse, era necessária uma política que compatibilizasse desenvolvimento econômico sustentável e social. “Procuramos consagrar nesse projeto todos os centros, mecanizados ou não, para que esses catadores façam parte do sucesso da empreitada, e não se sintam ameaçados por esse processo de modernização.”

Presente no evento, o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro, afirmou que a iniciativa de uma nova política de reciclagem partiu do inconformismo do prefeito com os índices quase nulos de coleta seletiva na cidade. “Ele convocou as empresas (Loga e Ecourbis) e as cooperativas de catadores para discutir tecnologias e procedimentos para definirmos o formato do projeto. Até 2016, com todas as centrais em funcionamento, a proposta é quintuplicar a quantidade de resíduos reciclados, alcançando mais de 1.200 toneladas coletadas por dia.”

Para alcançar esses números, o secretário afirmou que a prefeitura pretende colocar pontos de coleta em todas as regiões da cidade por meio de parcerias com órgãos do governo municipal, estadual e federal. “Vamos apresentar uma carta consulta ao fundo socioambiental do BNDES de modo a obter uma linha de crédito para melhorar as centrais de triagem existentes e investir em novas estruturas, criando novas cooperativas”, afirmou Pedro, que garantiu a regulamentação da Política Nacional dos Resíduos Sólidos em São Paulo.

O presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Roberto Laureano da Rocha, aproveitou a oportunidade para parabenizar o modelo proposto pela prefeitura, mas cobrou responsabilidade social. “Não estamos simplesmente falando de captação e venda de materiais, mas de pessoas que sempre viveram desse trabalho. Não podemos nos esquecer da maioria avulsa, que sobrevive com o seu dinheirinho e que precisa de uma força para se organizar. Como essas grandes usinas vão beneficiar de fato os catadores, de modo que a mecanização não os deixe de fora do processo?”

Durante a apresentação, Haddad agradeceu aos catadores. Segundo o prefeito, eles alteraram a maneira como as pessoas passaram a olhar o lixo. “Antes, olhávamos o lixo como sendo um problema e agora ele parece ser uma solução para a humanidade, como oportunidade de trabalho, renda e de sustentabilidade ambiental. E São Paulo está dando mais um passo nesse mundo sustentável.”