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Só movimentos sociais podem reverter exclusão, diz Farzana Bari

por Marsílea Gombata publicado 12/12/2013 15h55, última modificação 14/12/2013 17h37
Para a ativista paquistanesa, movimentos sociais precisam se unir transnacionalmente para combater a lógica neoliberal com mais força
Marsílea Gombata
Farzana Bari

Farzana Bari defende a união entre os movimentos sociais para ampliar a força das reivindicações

De Brasília

Em um duro discurso nesta quinta-feira 12, no Fórum Mundial de Direitos Humanos, em Brasília, a ativista paquistanesa Farzana Bari foi enfática ao criticar o modelo neoliberal que rege as relações mercadológicas e relega os direitos fundamentais a segundo plano. Para ela, só existe uma forma de combater este processo: a luta transnacional dos movimentos sociais.

Segundo Bari, diretora do Centro de Excelência em Estudos de Gênero da Universidade de Quaid-e-Azam, em Islamabad, e doutora em sociologia pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, só os movimentos sociais são capazes de reverter o processo de exclusão social, assim como violações de direitos humanos, para ela consequências da lógica de mercado. “A mobilização social e coletiva dos grupos marginalizados é a única forma de avançar. É preciso, então, que tais movimentos falem em uma voz mais coletiva, já que reclamar de direitos não é apenas abordar fatores internos, mas todo um contexto externo”, afirmou.

De acordo com Bari, a “transnacionalização” permite a conexão entre movimentos sociais de distintos lugares e dá a eles mais chances de obter força para exigir compromissos dos Estados em áreas como saúde, educação e alimentação. “Para mim, é a única forma de aqueles interessados em mudar o status quo avançarem, ainda mais como comunidade internacional que busca sociedades mais humanas e igualitárias”, afirma. “É a única maneira de tornar nossos governos mais responsáveis e trabalhar em favor dos mais marginalizados.”

Sistema internacional. Para a ativista paquistanesa, são os organização internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial ou mesmo a Organização Mundial do Comércio (OMC), os maiores responsáveis pelo fato de os direitos humanos não se mostrarem prioritários para diferentes governos e Estados. “Os efeitos negativos das políticas são sentidos através desses organismos” afirma.

Bari condenou também o modelo baseado em monopólios e multinacionais, para ela responsável por problemas como o aumento da inflação, desemprego e instabilidade política. "O tipo de monopólio do mundo hoje está cada vez mais anulando a competição em favor dos negócios e não das pessoas”, disse. “Muitos Estados e nações não conseguem assegurar direitos fundamentais. A economia neoliberal baseada em livre mercado, na liberalização e na globalização colocou ainda mais pessoas em risco.”

A ativista citou ainda o seu país, Paquistão, como exemplo de vulnerabilidade ao longo.  “Nos sentimos vulneráveis, mesmo 65 anos após nossa independência. E, apesar de termos sido governados por ditaduras e governos eleitos, não há muita diferença entre as políticas públicas de um e de outro, sendo que nunca se gastou, por exemplo, mais de 2% do orçamento em educação ou 5% em saúde. Essa ‘democracia liberal’ não funciona da mesma forma que funcionou nos países desenvolvidos."