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Sociedade

Cariocas (Quase sempre)

Sem Rodouro e sem confete

por Redação Carta Capital — publicado 09/02/2013 10h33, última modificação 09/02/2013 10h41
Nada de lança-perfume, serpentina, grandes festas e esplêndidas marchinhas. O carnaval mudou

Por Carlos Leonam

Estamos entrando na semana do chamado tríduo momesco, o triduum dedicado a Momo, o ator mascarado também chamado de Bufo, que representava farsas populares.  No caso, o Rei Momo de hoje, que se tornou o comandante do carnaval. Tudo bem, o paciente leitor sabe disso. Ou não, como costumava acentuar, galhofeiramente, o escritor Fernando Sabino.

Esse comentário que se segue completa os da coluna publicada há duas semanas. Não vamos, nostalgicamente, insistir que o carnaval carioca não é mais o mesmo. Claro que não é. Isso um simpático confete sabe mais do que a gente. Aliás, por onde andam os confetes e serpentinas, sem falar nas Rodouros metálicas, lançaperfume que Jânio Quadros proibiu, em prol da moral, dos chamados bons costumes e que tais? E logo Jânio...

Permitam, pois, que este observador dos usos e costumes cariocas volte ao tema da folia. Vamos falar dos bailes, que praticamente desapareceram, pois novas marchinhas também sumiram – e se não sumiram de todo, isso devemos ao compositor João Roberto Kelly, que tenta manter a verve dos grandes sucessos.

Só que ele e alguns poucos outros enfrentam a sanha dos inefáveis adeptos do “politicamente correto” (que se tornou uma forma de censura). Quem ousaria compor, hoje, um dos grandes sucessos de Kelly, que dizia “olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é”? Ou “branca é branca preta é preta/ Mas a mulata é a tal, é a tal! Quando ela passa todo mundo grita /Eu tô aí nessa marmita!/ Quando ela bole com os seus quadris/ Eu bato palmas e peço bis” (...).  O grande sucesso de Carlos Galhardo, Allah-la-ô, mereceria uma fatwa: “(...) Viemos do Egito/ E muitas vezes nós tivemos de rezar/ Allah! Allah! Allah, meu bom Allah!/ Mande água pra ioiô/ Mande água pra iaiá/ Allah! Meu bom Allah.” 

É mole?...

Chegamos, finalmente, aos bailes. Eles ainda existem, mas não bombam mais nem são bacanas. Os infantis permanecem nos clubes. Mas os chamados de “gente grande” sumiram. Quem não tem saudades do Baile do Municipal, do Baile do Copacabana Palace (o de hoje não chega aos pés dos que ferviam aos sábados no hotel da família Guinle), o do Quitandinha, em Petrópolis, do High Life, na Glória, o Baile dos Artistas, no Hotel Glória, o Baile do Havaí, no Iate Clube. E mais recentemente, o do Pão de Açúcar, que acabou quando o trepidante Guilherme Araújo morreu.

Sem esquecermos o Clube dos Cafajestes, que reunia um punhado de rapazes bem-nascidos de Copacabana, pois Ipanema não existia: Baby Pignatari, Carlos Niemeyer, Carlos Peixoto, Cassio França, Ermelino Matarazzo, Fernando Aguinaga, Mário Saladini, Mariozinho de Oliveira.

Eles promoviam, no Clube dos Marimbás, no Posto 6, em Copacabana, os bailes do Popeye e o Mamãe Eles São de Família. Que faziam maridos prevaricadores correrem para as redações de O Cruzeiro e Manchete em busca de fotos comprometedoras. Mas essa seria outra história.

Joaquim Dannemann
Para não dizer que não falei no que aconteceu em Santa Maria, passo a palavra ao universitário Joaquim Dannemann, de Curitiba. Aborda as tragédias ocorridas nos campos de futebol, dias antes do que aconteceu no novo estádio do Grêmio. Um trecho do que postou no Facebook:

“A tragédia de Santa Maria abre um precedente histórico para o Brasil. Depois da morte de mais de 200 pessoas, em que não é possível apontar apenas um culpado, é a chance que temos para tomar medidas para que isso nunca mais se repita. Pego de exemplo dois massacres que aconteceram com a torcida do Liverpool em jogos de futebol. Em maio de 1985, o desastre do Estádio de Heysel, Bélgica, resultou na morte de 39 torcedores da Juventus. Quatro anos depois, novo acidente no estádio de Hillsborough, resultando na morte de 96 torcedores do Liverpool (este foi a gota d’água para autoridades inglesas). Em ambos os casos, os torcedores foram esmagados contra as grades que separavam a torcida do campo. Infelizmente, foram necessárias tais atrocidades para que as autoridades  tomassem medidas drásticas para assegurar a integridade dos torcedores, o que deu muito certo. Hoje é possível ver no futebol (pelo menos nos países a oeste da Europa) uma eficaz organização e ordem, onde não há mais grades e muito menos bagunça. Mas não podemos voltar no tempo”.

Esperemos que “avalanches” e que tais tenham fim nos estádios brasileiros.

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