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"Sem PM, não teve violência"

por Gabriel Bonis publicado 18/06/2013 08h47, última modificação 18/06/2013 09h02
Esse foi um dos bordões mais populares da manifestação contra o aumento das passagens em São Paulo
Mídia NINJA

"Sem a Polícia Militar, não teve violência". Esse foi um dos bordões mais gritados pelos milhares de manifestantes durante o quinto ato contra o aumento das passagens do transporte público em São Paulo. De fato, durante o trajeto de parte das pessoas no protesto pela Avenida Paulista, no centro da cidade, rumo à Assembleia Legislativa, a PM não se aproximou. Em alguns pontos nem sequer havia acompanhamento policial.

Na capital paulista, segundo o Datafolha, os protestos reuniram 65 mil pessoas, a maior concentração desde o início dos atos. Com o aumento dos manifestantes, as pautas defendidas avançaram além da revogação do aumento das passagens. Cartazes contra os gastos públicos na Copa do Mundo e também contra a PEC 37, que limita os poderes de investigação do Ministério Público, eram comuns. Nesta terça-feira 18, o Movimento Passe Livre (MPL), que organiza as manifestações, convocou um novo ato e destacou que o objetivo único é baixar as tarifas.

Em meio ao protesto, os manifestantes gritaram em coro pela saída do governador Geraldo Alckmin (PSDB), pediram o rompimento do prefeito Fernando Haddad (PT) com o tucano e criticaram a presidenta Dilma Rousseff (PT). Também pararam em frente ao prédio da Assembleia Legislativa onde chamaram, em coro, os deputados estaduais de “ladrões”.

Não houve confrontos com a polícia, ao contrário de outras cidades do País, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro -que reuniram, respectivamente, 20 mil e 100 mil manifestantes. Após a violência policial de quinta-feira 13, o governo paulista havia adiantado que os policiais não estariam equipados com balas de borracha, e que a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) não estaria presente, embora de plantão para alguma necessidade.

O quinto ato se transformou em uma passeata pacífica pela cidade, com a exceção de um tumulto no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para onde parte do protesto seguiu e atraiu mais manifestantes para as ruas.

Segurando um cartaz “pelo futuro dos meus filhos” e cantando pela Avenida Paulista, a consultora Renata Gomes dizia que o aumento de 20 centavos na tarifa do transporte público na cidade foi a gota d´água para o povo ir às ruas. “Estamos cansados de roubalheiras.”

Gomes participou de três atos contra o aumento e não temia novos confrontos com a polícia. “Na semana passada, foi muito violento. Não houve respeito por parte da polícia, que atirou até mesmo em quem não estava no protesto.”

Rubia Martins, de 19 anos, se disse “maravilhada” em meio à multidão que caminhava pela Avenida Paulista. "Algumas pessoas falaram para não vir, mas se queremos mudar o País é preciso agir. Não adianta ficar no Facebook reclamando ou vendo jornal quem ninguém te ouve”, afirma. “Não adianta ficar parado, ou você faz alguma coisa ou é mais só mais um. E sinto que realmente estamos ajudando a melhorar o Brasil.”

O resultado do protesto, conta, não importa. “A mudança não acontece de um dia para o outro. Mesmo que o governo abaixe a tarifa, vai levar um tempo. Não estamos aqui apenas pelos 20 centavos, queremos melhorar a saúde, a educação. Estamos indignados com muitas coisas. E o povo só acorda quando atinge o bolso.”

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