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Sociedade

Balanço

Seis meses depois...

por Paulo Daniel — publicado 03/06/2011 18h06, última modificação 03/06/2011 20h13
Pensar uma nação requer metas e objetivos estratégicos; isso Dilma tem de sobra. Entretanto, a política de alguns ministros não pode interferir

Iniciamos o segundo semestre de 2011 e com ele o governo da primeira presidenta brasileira, após 6 meses, pode-se fazer algumas pequenas análises sobre o que representa o governo de Dilma Rousseff.

Para aqueles que acompanharam de perto a campanha eleitoral em 2010 pela internet, na época, foram lançados alguns vídeos apócrifos em que tentavam levar o medo e a desesperança ao povo brasileiro, afirmando que, caso Dilma vencesse o pleito, como evidentemente venceu, esse seria o período (seis meses após a posse) em que de fato estabeleceria a ditadura no país. Pura bravata! Para ser bastante cuidadoso com o adjetivo em respeito aos leitores. Como estamos observando e vivendo estamos infinitamente longe desse risco.

Desde sua vitória, na maioria dos casos, Dilma foi pautada pela grande imprensa, num primeiro momento debateram-se muito sobre a inflação e alguns meios de comunicação mais exaltados chegaram a afirmar que a inflação voltou. Em outro momento foi chamada de Presidenta da “gastança”.

Passados alguns poucos meses, a pauta de repente desloca-se de foco, passa-se a destacar a pouca infra-estrutura brasileira para realizar dois eventos de conotação mundial que são a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas.

Pois bem, é importante destacar, assim como Lula, Dilma não mudou a estrutura da economia brasileira, ou seja, manteve-se ancorada em três pilares: taxa de câmbio flutuante com livre mobilidade de capitais, para continuar tentando manter o ajuste das contas externas; taxa de juros real elevada, para garantir o cumprimento das metas de inflação; superavit primário, para conter o endividamento do setor público. Mesmo com essa realidade, alguns tentaram e ainda tentam afirmar que a inflação voltou.

A briga não era e nunca foi com o possível dragão da inflação, mas sim uma luta quase que interminável de análises, discussões, debates sobre o que o governo deveria fazer ou deixar de fazer, o governo tomou providências mais do que prudenciais e como está se observando não se tem o risco de a inflação corroer o poder de compra dos(as) brasileiros(as). Infelizmente o governo perdeu esta batalha para parte da mídia, pois a mesma ainda não reconhece ou reconheceu os esforços que se fez ou está se fazendo para manter o crescimento da economia com certa prudência macroeconômica.

Com num passe de mágica, sai de pauta a inflação e entra a infra-estrutura para Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. Antes de pincelar a respeito, gostaria de colocar duas perguntas pertinentes que parte da imprensa não se cansa de afirmar; o que seria fazer feio nesses eventos? Imaginem que as condições de infra-estrutura se mantenham será que teríamos algum tipo prejuízo para a economia brasileira?

Apesar de esses dois eventos mexerem com uma parcela da infra-estrutura brasileira desde agora até seu término, as suas realizações serão em apenas dois meses, uma para a Copa e outro para as Olimpíadas. Portanto, ao pensar infra-estrutura, jamais deveria se pautar por essas razões, mas sim, para o futuro brasileiro. E o pior, para contemplar esses loucos afoitos por eventos internacionais, apresentam-se remendos, como por exemplo, contratos de concessão de aeroportos.

Os desafios ao governo Dilma continuam, como a excessiva valorização de nossa moeda, o analfabetismo, a eliminação da pobreza extrema, reorganização e não redução da carga tributária e, porque não dizer, a infra-estrutura brasileira. Desses, talvez, o que realmente venha a se consolidar seja a eliminação da extrema pobreza, por duas razões muito simples, primeiro; interessa aos diversos capitalistas a formação de novos consumidores, segundo; isso agora se tornou uma prioridade ao governo e um projeto e política de Estado.

Evidentemente, é um grande desafio reduzir a pobreza extrema, mas, paralelamente, dever-se-ia pensar outros pontos sociais e econômicos que venham a tornar o país desenvolvido e sem miséria, queiram ou não, passam pelos desafios acima elencados.

Pensar uma nação requer metas e objetivos estratégicos, isso Dilma tem de sobra, aliás, a tendência é que Dilma cumprirá muito bem o seus primeiros 4 anos. Entretanto, a política de alguns ministros não pode interferir maleficamente nessas diretrizes, caso contrário, quem continuará pautando o governo será parte da imprensa e a rara oposição que não desejam o seu êxito.

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