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Richard Dawkins já não é o maior pensador do mundo

por The Observer — publicado 28/03/2014 14h14
Vencedor no ano passado, o autor de Deus, Um Delírio, ele não entrou na longa lista das mentes mais influentes da revista Prospect de 2014

Por Jonathan Derbyshire

Quem é o mais importante pensador do mundo? Não é a pergunta mais simples de se responder. Mas, em uma iniciativa corajosa – inútil? –, a mensal britânica Prospect tem convidado o público a votar em listas de pensadores influentes ao longo dos últimos dez anos.

Começou em 2004, quando elaboramos uma lista dos cem principais "intelectuais públicos" britânicos. No ano seguinte ampliamos nossa busca para o resto do mundo e leitores votaram online aos milhares. Eles coroaram o professor de linguística e veterano ativista político norte-americano Noam Chomsky como principal intelectual público do mundo. O resultado provavelmente falava mais sobre as atitudes predominantes em relação à política externa dos EUA na época do que sobre o trabalho de Chomsky.

Depois de alguns anos de intervalo, quando reanimamos a pesquisa em 2013, deixamos a designação de "intelectual público" por "pensador mundial". Mais de 10 mil pessoas votaram, a partir de uma lista elaborada por nosso painel de escritores e editores, na pessoa que elas consideravam "envolvida da maneira mais original e profunda com as questões centrais do mundo hoje". O vencedor foi Richard Dawkins, que havia vencido a pesquisa no Reino Unido em 2004 e ficara em terceiro em 2005, atrás de Chomsky e do romancista e semioticista italiano Umberto Eco.

Pesquisas como essas são indicadores imperfeitos das preocupações intelectuais vigentes, é claro. E a vitória de Dawkins no ano passado possivelmente deveu tanto a seu talento para a autopromoção – ele tem quase um milhão de seguidores no Twitter – quanto a qualquer outra coisa. Desde que publicou seu tratado best-seller de ateísmo, Deus, um Delírio, em 2006, ele escreveu um livro para crianças, uma memória publicada no ano passado e muito jornalismo.

Em sua memória, Dawkins se descreve como um "persuasor razoavelmente eficaz", embora seja difícil imaginar que muitas pessoas realmente tenham sido convencidas a abandonar sua fé por seus textos antirreligiosos na última década. Estes não são tanto argumentos quanto lembretes para o apóstata de que ele não é o único (embora isto não pretenda diminuir sua importância para o ateu solitário em Tucson ou Tallahassee).

Dawkins nem sequer aparece na lista de 50 da Prospect em 2014 (publicada na edição de abril da revista). Demos crédito à atualidade do trabalho dos candidatos, sua influência nos últimos 12 meses e sua importância duradoura para as grandes questões deste ano. A lista contém 17 economistas, o que sugere que a Grande Quebra de 2008 continua a projetar uma longa sombra. Eles incluem Amartya Sen, que ainda produz trabalho original sobre pobreza e desenvolvimento 16 anos depois de ganhar um prêmio Nobel; Ha-Joon Chang, o autor sul-coreano de 23 Coisas que não nos Contaram sobre o Capitalismo; e Thomas Piketty, autor de um novo livro, Capital in the Twenty-First Century [O capital no século 21], que hoje é leitura compulsória no ministério do líder britânico trabalhista Ed Miliband.

Outras disciplinas e preocupações também estão bem representadas: há 13 filósofos (especialistas em ética, teoria da mente e filosofia política), vários cientistas (incluindo o vencedor do prêmio Nobel de física em 2013, Peter Higgs), teóricos de tecnologia e um punhado de escritores-ativistas. Ah, e um representante de uma das maiores religiões do mundo: o papa Francisco.

A votação nos pensadores do mundo da Prospect começa nesta quarta-feira 26 em www.prospect-magazine.co.uk/worldthinkers

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