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Conflito

Revolta em Jirau chega à mesa de negociações, diz presidente da CUT

por Felipe Corazza — publicado 24/03/2011 17h41, última modificação 24/03/2011 17h41
Na próxima terça-feira, governo, centrais e empreiteiras farão reunião em Brasília para discutir melhores condições de trabalho para os operários em obras do PAC

A revolta dos operários na obra da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, será debatida em Brasília na próxima terça-feira 29. O motim dos quase 20 mil trabalhadores levou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) a convocar uma reunião com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

No encontro, realizado ontem, foi decidido que na próxima semana haverá uma rodada de negociações envolvendo governo, centrais sindicais e representantes das construtoras responsáveis tanto por Jirau quanto por diversas outras obras do PAC.

De acordo com o presidente da CUT, Arthur Henrique, o conflito em Jirau é apenas uma parte da insatisfação geral entre os operários que tocam adiante o programa. “A gente já vinha avisando desde o ano passado, não só por conta de Jirau. Infelizmente, nunca conseguimos construir uma agenda tripartite para construir uma proposta de um acordo nacional”, afirma Arthur.

O início da revolta em Jirau, ainda segundo Arthur, foi um desentendimento entre operários e funcionários terceirizados que operam o sistema de transporte da obra. O problema, diz ele, foi apenas o estopim que fez explodir toda a pressão das más condições de trabalho: “Você bota 20 mil pessoas num canteiro de obras no meio do mato, num trabalho que não é fácil e bota um segurança ou um motorista de ônibus que começa a destratar essas pessoas...”.

A pauta de discussões envolverá também outras centrais como a Força Sindical, representando trabalhadores de outras obras do PAC. “Queremos um debate tripartite, com governo, centrais e empresas, sobre questões fundamentais como data-base, data-base, condições gerais de trabalho, segurança e outras reivindicações”, diz Arthur. A intenção é determinar uma única agenda de melhoria nas condições para os operários.

Santo Antônio
Nas obras da usina de Santo Antônio, também no rio Madeira, a os operários conseguiram negociar melhores condições com a construtora, evitando revolta semelhante à de Jirau. “Conseguimos que uma parte do empréstimo junto ao FGTS que a construtora pediu fosse destinada à melhora das condições”, afirma o presidente da CUT. Além disso, os 12 mil trabalhadores de Santo Antônio são, na maioria, moradores da região, facilitando a questão do transporte e reduzindo a pressão social. Em Jirau, pelo contrário, a maioria dos operários vem de outras regiões.

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