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Reitor fecha PUC para impedir Festa da Maconha

por Redação Carta Capital — publicado 16/09/2011 18h32, última modificação 26/09/2011 18h09
Em ato, reitor da PUC suspendeu atividades e proibiu entrada para impedir o Festival da Cultura Canábica, um evento de culto à substância; estudantes planejam manifestação

O 1º Festival da Cultura Canábica ocorreria nesta sexta-feira 16, não fosse o veto do reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Mais de 6000 pessoas haviam confirmado presença no evento pelo Facebook. Com shows e concursos, o festival foi organizado por estudantes da instituição para “cultuar o universo da Cannabis [nome científico da maconha]”.

Alegando que fora interpelado pelo Ministério Público Estadual, Dirceu de Mello, reitor da instituição, suspendeu, por meio de um ato, todas as atividades na Universidade e proibiu a entrada de qualquer pessoa na instituição - a mesma instituição que, depois de uma invasão policial em 1977, passou quase 30 anos imune à repressão.

No texto, Mello argumenta que a festa incomodaria vizinhos, pais, docentes, alunos e funcionários. Além disso, ele dispõe sobre a necessidade de se atender o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas e a Política Nacional sobre Álcool.

Na divulgação, os estudantes afirmam que o festival não pretende fazer apologia ou consumo de qualquer piscotrópico, mas vivenciar a cultura da maconha – gírias, hábitos, diferentes maneiras de consumo. Entre as atrações, apresentação de 7 bandas, um debate performático, oficina de estufa de leguminosos e concursos para definir a melhor larica e o concurso de miss 4:20. Larica é o nome dado à fome depois do consumo. E 4:20 é a gíria para o uso da maconha.

Em reação à atitude do reitor, os estudantes planejam uma manifestação em frente à PUC às 16h20, horário programado para o evento. Com orientação para não levar drogas – só cerveja – os organizadores chamam um fórum – manifestação, de caráter pacífico. No final, a intenção é festejar.

Segundo o reitor, as festas na instituição são proibidas. No entanto, ele próprio afirma que são comuns e que “ganharam proporções inadmissíveis por força do barulho provocado e do uso de bebidas alcoólicas e entorpecentes”.

O evento foi patrocinado pela loja Semente de Maconha, baseada em Amsterdam e que vende todo o tipo de entorpecentes na internet.

O reitor também avisa, no documento, que instaurou a Polícia Civil para apurar casos de violação. Depois da ditadura, a polícia só entrou novamente no local em 2007, quando estudantes ocuparam a reitoria da instituição.  A Associação de Professores da PUC (Apropuc) classificou a medida como antidemocrática.

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