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O outro lado

Reitor explica o caso do professor argentino

por Redação Carta Capital — publicado 22/04/2011 11h12, última modificação 23/04/2011 10h18
Hélgio Trindade, reitor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, explica em entrevista à radio CBN Foz sobre a contratação do professor que colaborou com jornal de ditador, nos anos de chumbo da Argentina, e a postura da instituição

Na última segunda-feira 18, o site de CartaCapital reproduziu uma matéria do site Sul21, de autoria de Milton Ribeiro, que trazia a informação de que o professor argentino de Sociologia e Ciência Politica, Jorge Eduardo Vior, que ministra aulas em universidade brasileira, teria colaborado com a ditadura militar de seu país. Em busca de maiores esclarecimentos sobre o caso, nossa reportagem entrou em contato com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz de Iguaçu, para saber a posição da instituição sobre o assunto, mas não tivemos sucesso.

No entanto, em uma entrevista veiculada na rádio CBN Foz, esta semana, o reitor esclarece alguns pontos do caso levantados na reportagem de Milton Ribeiro. Segundo Hélgio Trindade, o reitor, a colaboração de Vior com o jornal “Convicción”, dirigido pelo comandante da Marinha Eduardo Massera "é um fato reconhecido pelo próprio professor”. Mas em relação a sua colaboração com a ditadura, Vior alega inocência, que seu trabalho foi de caráter unicamente profissional e que seus artigos não corroboravam com práticas ditatoriais. Hoje, Vior responde à processo em seu país natal e encontra-se afastado de suas funções acadêmicas.

Trindade afirma que “ele [Vior] tinha que fazer essa defesa não aqui no Brasil, porque não cabe a uma universidade federal julgar um fato ocorrido em outro país. Ele solicitou afastamento temporário para contratar um advogado para se defender na justiça argentina diante das acusações. Não é nenhum conjunto de fatos novos”.

É quando o reitor, durante a entrevista à CBN Foz, lembra da participação do professor argentino num evento chamado Cúpula Social, do qual Vior participava de uma mesa sobre imigração e direitos humanos. “Um grupo de argentinos questionou a presença dele, dizendo que ele era colaborador da ditadura. Ele foi afastado da mesa pelos dirigentes da cúpula e, então, eles [os acusadores] ficaram de mandar para a universidade todas as provas dessa suposta colaboração com a ditadura e até hoje não recebemos nada”, afirma Trindade.

Segundo o reitor, Vior foi contratado por concurso público como todos os outros professores e foi avaliado pela suas qualidades acadêmicas. A Unila não tinha conhecimento da ligação de Vior com a ditadura argentina na época de sua contratação. Por isso, a partir do momento em que o lado argentino se manifestar “nós vamos ter que repensar que tipo de ação nós vamos tomar diante do professor”, diz.

O reitor afirma que as acusações fazem parte de especulações. “Agora ele vai ter de provar que tendo colaborado que com um jornal que estava vinculado a um dos membros da ditadura, que ele agiu profissionalmente e seus artigos, em nenhum caso, faz qualquer tipo de apoio à ditadura. É algo que ele tem que comprovar, e se livre dessas acusações.”

Na entrevista, Trindade afirma ainda que há um professor colombiano na universidade. “Não nos interessa saber se o professor trabalhou à favor das Farc. É um problema de cidadania dele em seu país. Aqui, ele é julgado pela sua profissão acadêmica, os livros que publicou, pelo desempenho na prova.”