Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Região serrana do Rio levará 10 anos para se recuperar

Sociedade

Tragédia

Região serrana do Rio levará 10 anos para se recuperar

por Brasil Econômico — publicado 19/01/2011 17h01, última modificação 19/01/2011 18h11
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que pelo menos 62,2% das empresas foram afetadas. Turismo e comércio também sofreram pesadas perdas. Do Brasil Econômico.

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que pelo menos 62,2% das empresas foram afetadas. Turismo e comércio também sofreram pesadas perdas
Por Juliana Rangel*

Além de contabilizarem e chorarem seus mortos, as cidades da região serrana do Rio se prepararam para um período de contração econômica nos próximos anos. Pesquisa feita pela Firjan indica que 62,2% das empresas foram afetadas pelos temporais da semana passada.
O prejuízo estimado por 278 companhias ouvidas chega a R$ 153,3 milhões. Em Petrópolis, a indústria tem peso de 27% sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Em Nova Friburgo e Teresópolis, o percentual fica em torno de 12%.
Além de muitas fábricas terem sofrido com a perda de funcionários, alagamentos e comprometimento de matéria-prima, estoque e máquinas, várias ficaram sem infraestrutura: 83,2% relataram problemas no abastecimento de energia elétrica. As linhas de telefone pararam de funcionar em 73,4% delas. E 67,6% tiveram o quadro de funcionários reduzido.
O levantamento também mostrou que 21,4% foram alagadas. Ainda segundo a pesquisa, 65,3% foram afetadas em sua capacidade de produção. Para o vice-presidente da Firjan Carlos José Ieker, algumas das cidades, como Nova Friburgo, vão levar até dez anos para voltarem ao patamar econômico anterior às chuvas.
Em Nova Friburgo, o setor de serviços, que inclui turismo e comércio, é responsável por 78% do PIB. Com as enchentes, alguns pontos turísticos como a Praça do Suspiro e o teleférico vieram abaixo, hotéis do centro foram afetados e as confecções de moda íntima, que movimentam o comércio, tentam descobrir o tamanho de suas perdas.
Só ontem, uma semana após a tragédia, os bancos e o comércio voltaram a abrir, mas ainda de forma tímida. A Faol, principal empresa de transporte público, havia retomado parcialmente as atividades.
Várias fábricas estavam sem luz, telefone, internet e água. "Quem não foi afetado, ficou sem funcionário para trabalhar ou porque eles perderam suas vidas ou porque estão em busca de parentes ou tentando recuperar as casas. Além disso, não há transporte público", diz Ieker.
Alguns trechos da cidade, percorridos geralmente em meia hora, levam mais de duas horas para serem concluídos. Além disso, há muitas áreas de risco, com passagem proibida.
Perda de até R$ 10 milhões
A confecção de roupa esportiva CCM retirava ontem a lama de suas instalações. Com 120 funcionários e produção de 40 mil peças por mês, a sócia da empresa Kênia Cariello estima que sua perda financeira fique entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões.
"Só se salvaram as máquinas, que estavam no segundo andar", diz. "Entrou 1,70 metro de lama e não tenho ideia de quando vou conseguir recuperar isso, se conseguir".
Ieker, da Firjan, é dono de uma fábrica de aviamentos e perdeu todo o segmento de acabamentos de sua empresa. O prejuízo estimado é de R$ 2 milhões. "Vou ficar pelo menos dez dias sem conseguir trabalhar. Hoje, se eu quiser emitir uma nota fiscal não consigo, porque não tenho internet. Devo ter um prejuízo adicional de R$ 2 milhões", diz.
De acordo com a Firjan, as fábricas de Nova Friburgo foram as mais afetadas: 79,8%. Em Teresópolis, foram 68,8%. Petrópolis foi a menos afetada, com 30,7%. "Tentamos falar com mais de 500 empresas de Friburgo, sem sucesso. Muitas estão incomunicáveis", diz Ieker.
A atividade que mais emprega na cidade é a têxtil. O município, conhecido como capital da moda íntima, tem cerca de 900 confecções responsáveis pela geração de mais de 20 mil empregos e faturamento de R$ 600 milhões ao ano. A estimativa é que as empresas demorem 27 dias para voltar a funcionar.
Como ajudar
- Defesa Civil da capital paulista recebe doações na Rua Afonso Pena, 130, no Bom Retiro. Perecíveis não são aceitos.
- rede Pão de Açúcar tem postos de arrecadação em suas lojas. Quem quiser pode fazer as compras no site da empresa, que enviará os produtos à região. As doações estão isentas de frete.
- ONG Viva Rio recebe mantimentos na Rua do Russel, 76, na Glória.
- Caixa Econômica Federal abriu uma conta corrente em nome da Defesa Civil do Estado do Rio: 2011-0, agência 0199. O código de operação é 006.
-o Banco do Brasil, as doações podem ser depositadas para: Teresópolis, agência 0741-2, conta: 110000-9; Nova Friburgo, agência 0335-2, conta: 120000-3; ou Petrópolis, agência 0080-9; conta corrente 76000-5.
-Em São Paulo, os donativos para a Cruz Vermelha devem ser entregues na Avenida Moreira Guimarães, 699, Indianópolis, de segunda a sexta, das 8h às 18h.
-No Rio de Janeiro, a Cruz Vermelha fica na Praça Cruz Vermelha, 1012.
-O HemoRio da capital fluminense precisa com urgência de doações de sangue. Ele fica na rua Frei Caneca, 8, centro do Rio. Todos os dias, das 7h às 18h.
* Matéria originalmente publicada no Brasil Econômico

registrado em: