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Que ano! (Até agora...)

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 16/04/2010 17h42, última modificação 20/09/2010 17h43
Ainda nem dobramos a primeira quadra dos 12 meses do ano e os acontecimentos que pautaram os dias de janeiro a abril já dariam para fazer uma retrospectiva jornalística daquelas difíceis de editar.

Ainda nem dobramos a primeira quadra dos 12 meses do ano e os acontecimentos que pautaram os dias de janeiro a abril já dariam para fazer uma retrospectiva jornalística daquelas difíceis de editar.

O verão foi de rachar, para além desse lugar-comum. No Senegal até diziam: em Dakar está fazendo um calor carioquesco. O ano abriu em um Réveillon de tragédia em Angra dos Reis e Ilha Grande, com mortos e desabrigados numa celebração por dias melhores. Depois vieram 40 dias seguidos de chuva em São Paulo, em paralelo a uma longa seca em outras regiões do País.

Acontece o dilúvio do Rio, com o horror visto em Niterói, sem contar as vítimas menores em terras fluminenses. As nuvens subiram e desabaram também no Nordeste, em particular na Bahia – como tem assinalado, diariamente, em seu Mural, a Facenauta Gal Costa. E a mesma pergunta se repete: quais serão as providências?

Longe, ou nem tanto, daqui, teve o Haiti dizimado. A seguir, outro terremoto e, de quebra, um tisunamezinho no Chile. Agora, a terra treme para valer na região tibetana da China. Depois de um outro tremor no noroeste do México e sul da Califórnia. Mortos e dor. Um desastre aéreo mata o presidente da Polônia e toda a sua comitiva. Justiça feita e, finalmente, o casal Nardoni é condenado, mas o cartunista Glauco e o filho Raoni são brutalmente assassinados.

Fazendo o Rio parecer Cabul, ou, pior, Palermo, um atentado a bomba, em plena Barra da Tijuca, mata o filho menor do bicheiro Rogério Andrade, dando continuidade ao extermínio da família do patriarca Castor de Andrade. Policiais envolvidos na história. Hum, isso cheira a novidade... E remete aos anos 30 e 40, com as polícias corruptas de Chicago e Nova York (ver, por exemplo, O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola).

O mesmo para a prisão do Capitão Guimarães e de Moysés, altos escalões de escolas de samba de primeira linha, chefes de máfias de caça-níqueis. Também parece novidade que os patronos do fantástico Carnaval do Rio, são, ora veja, contraventores. Nem por isso deixam de receber verbas oficiais para animar a festa.

Levou tempo demais, mas prendeu-se em Goiânia o pedófilo serial killer que não poderia estar solto. Em liberdade concedida pela Justiça, matou ao todo seis meninos, enquanto o sumiço dos primeiros deles já soara como alerta para a polícia. O pranto das mães desses rapazes, que saíram à rua para exigir que se chegasse a um culpado, não foi ouvido até agora.

A pedofilia na Igreja Católica chega ao Vaticano. Sem ter o que dizer, o Papa pede desculpas. Parece que 2010 será o “ano do armário”, tamanha a importância que a mídia mundial deu ao homossesualismo do menudo Ricky Martin. Grande novidade.

Como o Rio não é o Qatar, nem Milão, Deborah Seco e Stephanny Brito não agüentaram ficar casadas com malas como Roger e Pato que, especula-se, têm rodinhas que facilitam as escapulidas.

Falar nisso, a imperatriz de Adriano continua balançando o prumo do jogador, mas não seu lugar na almejada lista de convocados de Dunga. Será que ela peita o Imperador e se deixa fotografar (por simpático cachê) para a Playboy brasileira, no momento em que o não menos patriarca Hugh Hefner completa 83 anos?

Falando ainda em gostosudas, diz-se que Adriana Bombom pulou o muro da ex-casa, porque Dudu Nobre trocou a fechadura das portas. Mas os seguranças barraram a moça no jardim.

Nessa retrospectiva informal, há ainda o quê não aconteceu num mal iniciado ano de 2010. Salvemos colunas para a cobertura da Copa na África do Sul, com sua crise de apartheid, para as milícias paramilitares de direita, que garantem ser Obama um perigoso comuna (o que é referendado pelo canal Fox) e para as linhas e entrelinhas que antecederão as eleições presidenciais em Botocúndia, com ou sem segundo turno.

Pelo galopar da carruagem, faltará mês para tanto ano que ainda resta.