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UNODC

Uso de cocaína entre estudantes é quase o dobro do que na população geral

por Redação — publicado 26/06/2013 14h13, última modificação 26/06/2013 14h19
Segundo relatório, entre estudantes, taxa de prevalência chega a 3%
JLM Photography
cocaína

Fabricação da droga variou de 776 a 1.051 toneladas em 2011

Contrariando a tendência dos maiores mercados de cocaína, como os Estados Unidos, o Brasil apresentou aumento no consumo da droga nos últimos anos. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, divulgado nesta quarta-feira 26 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o uso da droga entre os estudantes brasileiros chega quase ao dobro da prevalência estimada entre a população geral. “Segundo estudo [de 2010] conduzido entre estudantes em 27 capitais brasileiras, a prevalência anual de uso de cocaína entre eles gira em torno de 3%. A prevalência do uso de cocaína dentre a população geral é estimada em 1,75%, e também é consistente a tendência do aumento de uso da droga no País.” O dado sobre a população geral é uma estimativa feita pela própria UNODC, levando em conta o ritmo de consumo da droga.

De toda a cocaína apreendida no País em 2011, ressalta o documento, mais da metade veio da Bolívia (54%), enquanto 38% são originários do Peru, e 7,5%, da Colômbia. O fato de fazer fronteira com três principais países -fonte de cocaína e de ter uma população grande contribuíram, segundo o texto, para “níveis significativos do uso de cocaína e crack”. Além disso, a extensa costa atlântica do país propicia fácil acesso aos mercados da África e da Europa, fazendo-o desempenhar um importante papel no mercado de cocaína tanto como destino quanto rota. “O Brasil é também um ponto de passagem para remessas de cocaína traficadas para África ocidental, a África Central e Europa, notadamente a Península Ibérica.”

Paralelamente ao aumento do consumo de cocaína no Brasil, muitos países sul-americanos registraram estabilidade ou queda. Os dois principais mercados para a cocaína, a América do Norte e a Europa Ocidental e Central, também mostraram diminuição do uso de cocaína entre 2010 e 2011. Enquanto a prevalência anual entre a população adulta diminuiu de 1,3% em 2010 para 1,2% em 2011 na Europa Ocidental e Central, na América do Norte a queda foi de 1,6% para 1,5%. Na América Central, lembrou o documento, a concorrência entre traficantes resultou em um aumento dos níveis de violência.

Assim como o Brasil, a Austrália também registrou aumento no uso de cocaína, passando de 1% da população acima de 14 anos em 2004 para 2,1% em 2010. As maiores apreensões de cocaína do mundo, indica o documento, continuam a ser relatadas na Colômbia (200 toneladas) e nos Estados Unidos (94 toneladas).

O relatório da UNODC ressalta ainda que partes do leste e sudeste da Ásia correm, assim como o Brasil, maior risco de expansão do uso de cocaína. Em Hong Kong, por exemplo, as apreensões aumentaram dramaticamente para quase 600 kg em 2010, e ultrapassaram 800 kg em 2011. Enquanto o aumento na Ásia pode estar ligado ao “glamour associado ao uso da cocaína e à emergência de seções mais ricas da sociedade”, no caso da América Latina o aumento do consumo “parece estar relacionado ao fato de que a cocaína está amplamente disponível e é relativamente barata, por causa da proximidade de países produtores”.

Na América do Norte, de 2006 a 2011, o uso de cocaína nos Estados Unidos caiu 40%, parcialmente “devido à menor produção na Colômbia, à intervenção dos órgãos responsáveis pela aplicação da lei e à violência entre os cartéis”. Já na Oceania, as apreensões atingiram novos recordes em 2010 e 2011: 1,9 e 1,8 toneladas, respectivamente, em comparação com 290 kg em 2009. Estima-se que, no total, a área global destinada ao cultivo de coca seja de 155.600 hectares.

NPS. O documento traz também como ponto de preocupação do órgão ligado à ONU a velocidade do fenômeno conhecido como novas substâncias psicoactivas (NSP) – substâncias ou produtos psicoactivos não regulamentados que tentam imitar os efeitos de drogas controladas, como mefedrona, BZP, ketamina, MDMA.

“O número de NSP comunicadas pelos Estados-Membros para o UNODC aumentou de 166 no final de 2009 para 251 em meados de 2012, o que representa um aumento de mais de 50%. Pela primeira vez, o número de NSP excedeu o total das substâncias controladas internacionalmente.” O tema mostra-se um assunto de preocupação na área da saúde pública, segundo o relatório, devido à falta de investigação científica e conhecimento sobre seus efeitos.

O relatório faz ainda alerta à combinação de medicamentos e substâncias ilícitas, especialmente ao abuso de sedativos e tranquilizantes. Dos países cobertos pelo relatório, mais de 60% classificam tais substâncias entre as três mais usadas indevidamente.

Em relação ao uso de drogas injetáveis e a consequente contaminação por HIV, o relatório lembra que dos 14 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos que injetam drogas, 1,6 milhões vivem com o vírus da Aids.

No ano de 2011, o número de mortes relacionadas a drogas é estimado em 211 mil. O documento lembra, no entanto, que “as mortes ocorreram entre a população mais jovem de usuários e, em grande parte, poderia ter sido evitada”.